Trump critica Brasil por trabalho forçado na pecuária e isenta carne bovina de nova tarifa

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Trump critica Brasil por trabalho forçado na pecuária, mas isenta carne bovina de tarifas

Uma nova investigação comercial dos Estados Unidos revelou que 60 países, incluindo o Brasil, falharam em combater o trabalho forçado na produção de mercadorias. O relatório destaca problemas na cadeia da pecuária brasileira e sugere tarifas de 12,5% sobre produtos do país.

Apesar da proposta de taxação, a carne bovina brasileira foi isenta, assim como outros produtos como aviões, suco de laranja, café, petróleo, terras raras e metais. A isenção reflete a importância da carne bovina para o comércio entre Brasil e Estados Unidos, onde o Brasil é o segundo maior fornecedor desse produto.

A investigação também abrange a China, que é a principal compradora da carne brasileira. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) declarou que não comentará a proposta de tarifa, uma vez que as carnes estão isentas. A Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) ainda não se manifestou sobre o assunto.

O relatório enfatiza que o uso de trabalho forçado na produção de gado no Brasil é amplamente documentado, citando pesquisas independentes e a lista TVPRA, que identifica produtos associados a trabalho infantil ou forçado. A investigação sugere que a falta de rastreamento efetivo dos casos de trabalho forçado é um desafio para a implementação de proibições eficazes.

Entre 2015 e 2025, as exportações brasileiras de carne bovina congelada para os países investigados quase dobraram, enquanto as exportações americanas cresceram apenas 21%. O Brasil aumentou sua participação nas importações chinesas de carne bovina congelada, passando de 38% em 2021 para 53% em 2025, enquanto a participação dos EUA caiu de 6% para 2% no mesmo período.

O relatório também aponta uma diferença significativa de preços, com a carne bovina brasileira sendo vendida a um custo médio inferior ao da carne americana. A ocorrência de trabalho forçado na pecuária brasileira é vista como um fator que distorce a concorrência e oferece uma vantagem de custo à carne brasileira no mercado chinês.

Apesar das críticas, o documento inclui a carne congelada na lista de produtos isentos da nova tarifa, caso ela seja implementada. O Brasil é um importante fornecedor de carne congelada para a indústria americana. A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, expressou preocupações sobre o controle estrangeiro de grandes processadoras de carne, mencionando um histórico de corrupção associado a uma empresa brasileira, embora não tenha revelado seu nome.

Além disso, o Ministério Público do Trabalho do Pará pediu a condenação da JBS ao pagamento de R$ 118 milhões por supostos casos de trabalho análogo à escravidão. A empresa alegou que não foi notificada sobre as ações mencionadas.

O Itamaraty espera que, se as tarifas forem adotadas, elas serão cumulativas. O relatório considera a prática de países que não impõem proibições eficazes ao trabalho forçado como “irracional” e prejudicial ao comércio dos EUA.

O governo dos EUA propôs dois níveis de sobretaxação: 10% para países com proibições parciais e 12,5% para aqueles que não apresentam regimes de controle eficazes, incluindo o Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina e Arábia Saudita.

O Brasil, embora tenha assumido compromissos para combater o trabalho escravo em acordos de livre comércio, ainda carece de uma proibição legal efetiva que impeça a entrada de mercadorias produzidas nessas condições em seu mercado interno, sendo classificado como um país que falhou em impor e fiscalizar tais proibições.

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