TSE postergou decisão sobre censura a pesquisa que indicou queda de Flávio Bolsonaro
TSE adia análise sobre censura de pesquisa após pedido de Flávio Bolsonaro.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu adiar a análise referente à censura da divulgação da pesquisa Atlas/Bloomberg, solicitada pelo senador Flávio Bolsonaro. A ministra Estela Aranha pediu vista do caso após o voto do presidente da corte, Kassio Nunes Marques, que havia se manifestado a favor da confirmação da censura.
A pesquisa, realizada entre 13 e 18 de maio, ouviu 5.032 pessoas utilizando o método de recrutamento digital aleatório. A divulgação do levantamento ocorreu em 19 de maio, mas, com a decisão liminar expedida por Kassio, a AtlasIntel está proibida de divulgar ou republicar os resultados até nova deliberação do TSE.
No pedido de suspensão, a equipe do pré-candidato à Presidência alegou que a forma como as perguntas foram dispostas e as associações feitas entre Flávio e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, poderiam influenciar as respostas dos entrevistados.
A AtlasIntel, por sua vez, defendeu a integridade científica da pesquisa, afirmando que o áudio apresentado aos participantes foi utilizado apenas na última parte do questionário, sem interferir nas respostas anteriores. A metodologia foi elaborada de forma a garantir que os entrevistados não pudessem alterar suas respostas após ouvirem o material.
Maria Claudia Bucchianeri, ex-ministra do TSE e integrante da equipe jurídica de Flávio, destacou que o controle sobre pesquisas não é uma prática nova e que o levantamento em questão circulou por um período considerável, ao contrário de outras que são restritas.
O questionário submetido ao TSE revelou que o áudio de Flávio foi exibido como a última questão, onde os entrevistados puderam avaliar o conteúdo de forma positiva ou negativa. Essa abordagem levantou preocupações sobre a potencial indução das respostas, especialmente devido à sequência das perguntas e ao uso de expressões que poderiam influenciar a percepção dos participantes.
Kassio Nunes Marques enfatizou que as circunstâncias apresentadas sustentam a tese de que a pesquisa pode ter extrapolado os limites da aferição estatística regular, apontando para a possibilidade de indução nas respostas.
O ministro solicitou que a AtlasIntel apresente, em até dois dias, a documentação técnica complementar sobre a metodologia utilizada, especialmente em relação ao uso do áudio. Além disso, pediu que o Ministério Público Eleitoral se manifeste sobre o caso dentro de um dia.
