Ucrânia intensifica uso de drones pesados contra soldados russos enquanto resposta começa a surgir

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Guerra na Ucrânia revela nova dinâmica com drones Baba Yaga reutilizados.

Durante a Segunda Guerra Mundial, exércitos frequentemente reutilizavam tanques inimigos capturados, simplesmente pintando seus próprios símbolos neles e enviando-os de volta ao combate. Oito décadas depois, a guerra na Ucrânia adota uma lógica semelhante, mas agora as armas estão retornando em forma de drones voadores à noite.

Os drones pesados Baba Yaga se tornaram uma das armas mais temidas do arsenal ucraniano. Com sua capacidade de transportar minas, projéteis ou suprimentos durante voos noturnos, esses dispositivos geram tanto temor entre os soldados russos que foram batizados com o nome da bruxa do folclore eslavo que persegue suas vítimas na escuridão.

No entanto, a Ucrânia enfrenta um novo desafio: esses drones estão agora sendo capturados pela Rússia, que os repara e reutiliza para bombardear posições ucranianas, empregando as mesmas táticas que antes aterrorizaram suas próprias tropas. A guerra com drones entrou em uma fase peculiar, onde as armas não apenas trocam de mãos, mas também de identidade.

Diferentemente dos pequenos e baratos drones FPV, os Baba Yaga são plataformas complexas e difíceis de fabricar. Eles precisam de alta capacidade de carga, estabilidade de voo e sistemas robustos para resistir a interferências eletrônicas. O transporte de cargas pesadas requer baterias potentes e estruturas resistentes, algo que a Ucrânia conseguiu desenvolver por meio de engenhosidade e adaptação de tecnologia comercial.

A Rússia, por outro lado, enfrenta dificuldades em produzir um equivalente operacional em larga escala, apesar de diversos projetos anunciados. A reutilização dos drones Baba Yaga capturados destaca a eficácia da guerra eletrônica russa, que utiliza métodos simples, como a exploração de padrões de voo repetitivos e conexões de rádio permanentes, para derrubar esses drones.

Além disso, a Rússia implementou equipes de atiradores de elite para destruir esses drones, que, por serem grandes e lentos, são facilmente visíveis. Danificar apenas um rotor ou um braço de suporte é suficiente para desativar o drone sem destruí-lo completamente.

A crescente recuperação de drones permitiu à Rússia desenvolver um ecossistema de reparos improvisados. Oficinas operadas por soldados e voluntários desmontam os drones capturados, substituem peças danificadas e instalam novos sistemas compatíveis com as redes de comunicação russas. Essa abordagem emergencial está se tornando uma fonte estável de drones pesados para Moscou.

A ironia dessa situação é que os drones, que foram inicialmente uma vantagem tecnológica para a Ucrânia, estão agora sendo usados pela Rússia para atacar posições ucranianas. Alguns comandantes russos até se referem a eles pelo mesmo apelido que antes simbolizava o terror noturno das tropas ucranianas.

Esse fenômeno ilustra uma mudança na lógica da guerra tecnológica moderna. A ideia de que a chave para a vitória é projetar armas mais avançadas que as do inimigo está sendo desafiada. Agora, a capacidade de recuperar, reciclar e reutilizar material destruído no campo de batalha se mostra igualmente crucial.

A Rússia encontrou uma maneira relativamente barata de reduzir a diferença tecnológica com a Ucrânia, forçando Kiev a explorar soluções inovadoras, como sistemas anti-adulteração que destroem automaticamente componentes críticos caso um drone caia em mãos inimigas.

Imagem | X, АрміяІнформ

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