USP registra mais de 680 dias de paralisações em três décadas
Greve na USP: trabalhadores e estudantes se mobilizam por melhores condições e salários.
Desde 1995, a Universidade de São Paulo (USP) enfrentou ao menos 680 dias de paralisação de docentes e funcionários, refletindo demandas históricas por melhores salários e a contratação de professores.
A mais recente greve começou em 14 de abril de 2026, quase três meses após a posse do novo reitor. Esta é a segunda paralisação da universidade durante a gestão atual. A mobilização é liderada por trabalhadores técnicos e administrativos que buscam reposição de perdas salariais, um reajuste de cerca de 14% e a incorporação fixa de R$ 1.600 aos salários.
Na quarta-feira, 15 de abril, os estudantes se juntaram à greve, ampliando as reivindicações. A adesão estudantil foi impulsionada pela recente criação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (GACE), um bônus destinado a professores por atividades adicionais, que gerou divisões entre os docentes sobre a sua aprovação.
O Sindicato dos Trabalhadores da USP expressou preocupação de que a GACE possa romper a isonomia entre os professores e demais trabalhadores. A situação se complica ainda mais com as novas demandas dos estudantes, que pedem melhorias no sistema de permanência estudantil, nos restaurantes universitários e uma negociação mais direta sobre a gestão dos espaços da universidade.
HISTÓRICO E CONQUISTAS
Nas últimas três décadas, as greves na USP têm apresentado demandas recorrentes, como reajuste salarial, mudanças no financiamento da instituição e a contratação de professores e funcionários. Em 2023, o foco foi o déficit de professores, resultando em uma paralisação de 42 dias, após a qual a reitoria anunciou a abertura de 148 vagas para docentes temporários.
Em 2014, a greve mais longa da história da universidade durou 116 dias, com professores e funcionários reivindicando contra o congelamento salarial, resultando em um reajuste de 5,2% e um abono de 28,6%.
Em 2009, 57 dias de paralisação culminaram em um aumento salarial de 6,05%, além de benefícios para os servidores. Em 2007, a greve teve duração de 20 dias, com 50 dias de ocupação da reitoria, protestando contra medidas do governo que ampliavam o controle sobre a gestão financeira das universidades, resultando em uma revisão parcial das mesmas.
Em 2004, a greve durou 62 dias, com professores e funcionários pedindo um reajuste de 16%. Os grevistas conseguiram um aumento de 6%, abaixo do que foi reivindicado. Em 2002, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) teve uma greve que durou 101 dias, motivada pela falta de professores, resultando na autorização de 92 contratações de um total de 259 solicitadas.
Em 2000, após 52 dias de greve, professores e funcionários conseguiram um reajuste salarial de 22,45%, o maior registrado na série histórica. Outras paralisações, como a de 2012, foram lideradas exclusivamente por estudantes, que lutaram pelo fim do convênio da USP com a Polícia Militar.
Esses episódios históricos ressaltam a contínua luta por melhorias e a busca por condições dignas de trabalho e ensino na maior universidade da América Latina.
