Vera Lúcia Araújo alerta sobre o uso irresponsável da IA como ameaça à democracia
Jurista alerta sobre riscos da inteligência artificial à democracia e destaca importância do voto feminino.
Em entrevista, a jurista Vera Lúcia Araújo, ex-ministra substituta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), destacou os perigos do uso irresponsável da inteligência artificial generativa, especialmente em períodos eleitorais. Ela enfatizou que essa tecnologia pode facilitar a propagação de desinformação e discursos de ódio, colocando em risco o regime democrático.
A jurista afirmou: “A gente tem uma grave ameaça à própria democracia, que é a questão do uso nada responsável da inteligência artificial e de todas essas ferramentas tecnológicas que se colocam num desserviço democrático e, consequentemente, num desserviço à inclusão de gêneros na promoção de discursos de misoginia, de muito ódio”.
Apesar das preocupações, Vera Lúcia expressou otimismo com os mecanismos que o TSE tem implementado para combater práticas eleitorais prejudiciais. Ela elogiou a estrutura da Justiça Eleitoral brasileira, que se mostra forte e preparada para evitar abusos que possam comprometer o processo democrático.
A advogada ressaltou a importância do esforço conjunto das instituições nos últimos anos, que tem garantido uma escuta eficaz e um rápido encaminhamento de denúncias à Justiça Eleitoral, integrando os canais do Ministério Público Eleitoral, do TSE e dos tribunais regionais eleitorais.
“Eu sei que as ameaças são grandes, graves, mas eu também sou muito confiante de que temos institucionalmente ferramentas capazes de deter qualquer agressão maior”, concluiu.
Inclusão conjunta
Vera Lúcia Araújo também abordou a relevância do voto feminino nas eleições, sublinhando a necessidade de colaboração entre diversos setores da sociedade para aumentar a representação das mulheres na política.
Ela afirmou: “Eu não tenho dúvidas de que esse debate, essa interação, integração entre os vários segmentos da sociedade que vai qualificar efetivamente a nossa intervenção, a nossa participação e essa consciência de que devemos votar em mulheres”.
Para a jurista, promover um debate coletivo é essencial para dar visibilidade a “mulheres que estejam compromissadas com as nossas pautas, com as nossas agendas, que promovam a equidade”.