Veterinário orienta sobre cuidados essenciais para preparar gado em estação de monta
Estação de monta exige cuidados essenciais para garantir eficiência reprodutiva no rebanho.
A proximidade da estação chuvosa no país marca um importante período de planejamento estratégico para as propriedades de cria. É fundamental prestar atenção redobrada à saúde e ao escore corporal do rebanho neste momento.
O médico-veterinário e coordenador técnico de uma renomada empresa do setor apresentou diretrizes operacionais cruciais para a estação de monta. Diante do desafio de emprenhar mais de setenta milhões de fêmeas de corte no Brasil até o final de fevereiro, a integração entre nutrição, genética e protocolos sanitários se mostra imprescindível para atingir a meta de desmamar um bezerro por vaca ao ano.
Para garantir que as matrizes reconcebam em no máximo 80 dias após o parto, considerando uma gestação de 285 dias, a preparação das fêmeas e dos reprodutores deve começar imediatamente, ainda durante o período seco.
Importância da saúde reprodutiva
O escore de condição corporal (ECC) das vacas deve ser mantido na faixa ideal entre 3,0 e 3,5 em uma escala de 1 a 5. Matrizes que entram no manejo reprodutivo com ECC abaixo de três, que apresentam mais de quatro costelas aparentes, enfrentam anestro profundo, reduzindo drasticamente as taxas de concepção na Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) ou na monta natural.
No que diz respeito aos touros, a realização do exame andrológico de 45 a 60 dias antes da estação de monta é crucial. A avaliação deve atestar a qualidade do sêmen, incluindo motilidade e vigor, além da integridade de dentes, aprumos e cascos. Touros que não apresentarem condições adequadas devem ser reavaliados em 15 dias e, se mantiverem essa inaptidão, substituídos por jovens de 2 anos.
Protocolos sanitários e vacinação
A implementação de protocolos sanitários preventivos representa uma das etapas de menor custo operacional no sistema de cria, mas gera um impacto significativo na taxa de prenhez final. A primovacinação em novilhas de 14 meses e touros jovens é essencial: fêmeas e machos que recebem vacinas reprodutivas pela primeira vez devem obrigatoriamente receber uma dose de reforço entre 21 e 40 dias após a primeira aplicação.
Para avaliar os resultados da atividade de cria com precisão, o pecuarista deve dividir a gestão de dados em dois indicadores distintos. Se a propriedade enfrentar baixas taxas de prenhez mesmo seguindo o protocolo de vacinação, é recomendado auditar os processos de aplicação para evitar refluxos de vacina, checar a manutenção do botijão de nitrogênio e a viabilidade do sêmen desmembrado, além de realizar sorologias específicas para mapear os sorovares de Leptospirose prevalentes na região.
Cuidados pós-parto e manejo nutricional
O manejo da fêmea no pós-parto imediato é determinante para a velocidade de retorno à ciclicidade. A involução uterina completa deve ocorrer entre 35 e 40 dias do puerpério, permitindo que o trato reprodutivo esteja apto a receber um novo embrião. Categorias mais jovens, como primíparas e novilhas precoces, enfrentam uma queda temporária da imunidade no período próximo ao parto, tornando-se vulneráveis a altas cargas parasitárias.
Para proteger essas fêmeas e evitar a perda de peso durante a lactação, recomenda-se a desparasitação estratégica com endectocidas de longa ação e alta eficácia. Em áreas com histórico de Fasciola hepatica, é indicada a associação com princípios ativos fasciolicidas para conter danos hepáticos e restabelecer o balanço energético da matriz.
A condução racional no curral, com água limpa nos piquetes de espera e sombra disponível, alivia o estresse térmico das fêmeas durante os dias de manejo. A coordenação entre sanidade preventiva, aporte nutricional proteico e treinamento da equipe de campo estabelece as bases para uma estação de monta de alta eficiência e rentabilidade no agronegó
