Vice-presidente da FPA exige progresso nas negociações das dívidas rurais

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Deputado critica medidas de renegociação de dívidas rurais e propõe ampliação de seguro agrícola

O vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Arnaldo Jardim, expressou sua preocupação com as atuais medidas de renegociação de dívidas rurais, afirmando que estas são insuficientes para atender os produtores que enfrentam perdas sucessivas de safra.

Em uma análise crítica, Jardim destacou que, embora a renegociação tenha sido um passo positivo, sua implementação ainda não é plena e não atende à urgência necessária. Essa avaliação coincide com a cobrança da FPA, que em carta aberta ressaltou que a renegociação prevista na MP 1.376/2026 não está alcançando os produtores na velocidade e na escala adequadas.

Entraves como a exigência de laudos, revisão de garantias e a cobrança de entrada foram apontados como obstáculos significativos para os agricultores. A medida provisória, que foi prorrogada por mais 60 dias, permite a criação de linhas de crédito para aqueles afetados por perdas de safra, mas ainda não é suficiente para a recuperação do setor.

Jardim enfatizou que a situação não se deve a uma recusa dos produtores em honrar suas dívidas, mas sim a um acúmulo de frustrações nas colheitas, que os impede de quitar seus débitos e continuar com a produção. Para ele, a solução para esses problemas estruturais passa pela ampliação do seguro rural, que atualmente cobre apenas 7% da área plantada no Brasil, deixando a maior parte da produção vulnerável a eventos climáticos adversos.

O deputado também destacou a necessidade de um diálogo mais eficaz com o governo, afirmando que a comunicação entre os setores deve ser aprimorada para que as demandas do agro sejam atendidas de forma mais eficiente.

Embora tenha feito críticas, Jardim rejeitou a ideia de que a relação entre a FPA e o governo Lula seja exclusivamente conflituosa. Ele reconheceu que, apesar de algumas divergências, como a questão do marco temporal para demarcação de terras indígenas, a FPA deve manter um diálogo construtivo com qualquer governo, visando sempre os interesses do setor agropecuário.

Jardim também elogiou os resultados recentes da agricultura, mencionando as boas projeções de safra, mas alertou que isso não elimina os problemas de renda e endividamento que persistem em várias regiões do país.

Com foco nas prioridades do Congresso, a FPA planeja concentrar esforços na votação do Orçamento e da LDO até o final do ano, garantindo recursos para o Plano Safra, seguro rural e pesquisa. Jardim defendeu que esses recursos sejam protegidos de contingenciamentos, ressaltando a importância da continuidade no financiamento da pesquisa agrícola.

Além disso, a FPA está atenta ao projeto sobre proteção de cultivares, especialmente para espécies florestais e cana, que já foi aprovado pela Câmara e está em análise no Senado. A renegociação das dívidas permanece como uma questão central nas negociações da bancada.

Por fim, Jardim reiterou a necessidade de retomar as conversas sobre a MP do endividamento, reforçando que a renegociação de dívidas é um passo que ainda se revela insuficiente e cuja implementação precisa ser aprimorada.

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