Vila abandonada na Astúrias revela história de central termoelétrica com cinema, escola, clube social e clínica médica
Uma vila abandonada na Astúrias vive uma história de desilusão e esperança.
A vila de Soto de la Barca, localizada em Tineo, Astúrias, é um exemplo marcante de um lugar que prosperou e depois foi esquecido. Com cinema, escola, clube social e até um posto médico, a comunidade chegou a abrigar 500 moradores. No entanto, a desativação da usina hidrelétrica de Narcea em 2020 levou ao esvaziamento gradual da vila, que se tornou um símbolo do abandono.
Fundada em 1965, a vila foi criada para abrigar os trabalhadores da usina, que se tornou um importante fornecedor de energia na região. Ao longo dos anos, a usina passou por várias expansões e mudanças de propriedade, atingindo um pico de produção em 2000. Contudo, a partir da década de 2010, a produção começou a cair drasticamente, culminando no fechamento da usina em 2020.
O Instituto para uma Transição Justa concedeu € 3,5 milhões em 2023 para reabilitar a vila, mas os planos para utilizar esse investimento nunca se concretizaram. A prefeitura devolveu o dinheiro em 2025, citando atrasos na implementação de projetos e a falta de um plano alternativo para a área, que é considerada propensa a inundações.
A transferência da vila para a Câmara Municipal em 2022 foi vista como uma oportunidade, mas também como um “presente envenenado”. A necessidade de um orçamento substancial para preservar o patrimônio cultural da vila é um desafio que a administração atual ainda não conseguiu enfrentar. Consultas sobre a criação de moradias públicas e espaços culturais estão em andamento, mas até agora não há um projeto concreto.
Atualmente, Soto de la Barca abriga apenas 24 moradores, e as construções permanecem em estado de abandono, repletas de objetos pessoais e vestígios do passado. O vandalismo e os roubos se tornaram uma realidade, com monumentos e estruturas sendo alvo de depredação.
A história de Soto de la Barca ecoa em outros locais abandonados, como Perlora e Hashima, que também enfrentaram o desafio de revitalização após o fechamento de operações industriais. A situação atual da vila é um alerta sobre os efeitos do fechamento de indústrias em comunidades inteiras e a importância de um planejamento eficaz para garantir um futuro sustentável.
O futuro de Soto de la Barca ainda é incerto, mas a esperança de uma revitalização respeitosa do local persiste entre os poucos moradores e defensores da preservação cultural. A luta para dar nova vida a essa vila abandonada continua, refletindo a necessidade de um equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação do patrimônio.