Visões dos Candidatos sobre o Ajuste Fiscal: Do “Tesourão” de Flávio Bolsonaro ao Corte de R$ 3 Trilhões de Renan Santos
Ajuste fiscal é tema central nas eleições presidenciais de 2026.
Um ajuste fiscal “inevitável” em 2027 se destaca como um dos principais pontos de divergência econômica nas eleições presidenciais de 2026, afetando tanto o comportamento dos mercados quanto o resultado das urnas.
A avaliação sobre essa questão foi feita por um economista e especialista em investimentos, que destacou que algum tipo de ajuste fiscal será necessário a partir de 2027, independentemente do vencedor da eleição. No entanto, ele alertou que medidas de contenção de gastos são impopulares e podem enfrentar dificuldades para serem sustentadas politicamente.
O economista enfatizou que existe um grau de inevitabilidade em relação ao ajuste fiscal. A diferença entre os principais candidatos reside na disposição de cada um em enfrentar essa problemática. Candidatos da oposição tendem a apresentar propostas mais agressivas para o controle das despesas.
O programa de governo do atual presidente é considerado vago em relação às estratégias para equilibrar as contas públicas, apesar das promessas de seus auxiliares. A falta de clareza pode ser uma estratégia política para deixar uma margem maior de manobra para o próximo governo.
Tesouraço x Arcabouço
Um dos candidatos adotou a expressão “tesouraço” para abordar a eficiência do Estado e a redução de despesas, enquanto outro apresenta uma proposta mais radical, prometendo um corte de R$ 3 trilhões em dez anos, sendo a metade durante o primeiro mandato.
O economista alerta que o maior risco para o atual presidente, caso ele busque um quarto mandato, seria tentar implementar um ajuste sem a convicção necessária para convencer o mercado. Ele fez referência a um ajuste fiscal anterior que não obteve sucesso devido à falta de apoio político.
O programa do atual presidente menciona a manutenção do atual arcabouço fiscal, que enfrenta críticas de economistas. A experiência passada indica que ajustes fiscais sem apoio político tendem a falhar, o que gera ceticismo no mercado em relação a um possível ajuste consistente em um futuro governo.
O candidato que utiliza o termo “tesouraço” busca apresentar o tema de cortes de gastos de forma mais palatável ao eleitor, tentando equilibrar a necessidade de redução das despesas com a dificuldade de prometer cortes explicitamente.
De acordo com o especialista, o programa do candidato que adota o “tesouraço” é considerado mais robusto e objetivo em comparação ao do atual presidente. O documento foi elaborado com a participação de nomes que estiveram próximos da equipe econômica do governo anterior.
O ajuste ao limite e a ‘verdade nua e crua’ de Renan Santos
Enquanto um candidato tenta suavizar a abordagem sobre o ajuste fiscal, outro coloca a contenção de despesas como o foco central de sua candidatura, prometendo cortes significativos nos primeiros anos de governo. Essa proposta está ligada a uma agenda de reforma do Estado e diminuição da participação do governo na economia.
O especialista observa que esse candidato fala abertamente sobre a necessidade de reorganizar as contas públicas, mas pode enfrentar resistência eleitoral por abordar temas impopulares de forma direta. A proposta de substituir o programa social existente por novas iniciativas que exijam trabalho comunitário gera controvérsia e a necessidade de convencer os eleitores sobre a mudança.
O plano econômico desse candidato vincula o ajuste fiscal a uma agenda mais ampla de reformas pró-mercado e redução das despesas públicas.
Ajuste necessário e impopular
A discussão em torno das eleições revela um dilema: o mercado exige um ajuste fiscal, enquanto o eleitor tende a rejeitar medidas que impliquem cortes de benefícios ou aumento de sacrifícios no curto prazo. Nesse contexto, os candidatos tentam construir narrativas que demonstrem disposição política para enfrentar essa realidade.