Vorcaro interroga primo sobre atraso na mesada de Ciro Nogueira, segundo a Polícia Federal

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Mensagens revelam supostos pagamentos de propina a senador em investigação da PF.

A troca de mensagens entre Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e seu primo Felipe Cançado Vorcaro, expõe como eram discutidos os alegados pagamentos de propina ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). As conversas sugerem um esquema de favorecimento aos interesses do banqueiro no Congresso Nacional.

Na manhã de quinta-feira, a Polícia Federal realizou uma operação que incluiu busca e apreensão na residência do senador, que é alvo de investigações na nova fase da Operação Compliance Zero. Felipe Vorcaro teve sua prisão temporária decretada em decorrência das apurações.

A defesa de Ciro Nogueira repudiou as alegações de ilicitude, enfatizando que o senador não cometeu qualquer irregularidade em sua atuação parlamentar.

Durante as investigações, Felipe questionou Daniel sobre a continuidade dos pagamentos mensais destinados ao “pessoal que investiu” na BRGD S.A., uma empresa localizada em Nova Lima (MG) e administrada por Oscar Vorcaro, pai de Felipe.

A Polícia Federal identificou a BRGD como uma das principais fontes de recursos utilizados para pagar mesadas que chegavam a R$ 500 mil ao senador, segundo a investigação.

Os investigadores acreditam que a BRGD foi empregada para facilitar repasses mensais ao parlamentar, que também ocupou o cargo de ex-ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, através de uma parceria com a CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda.

A CNLF, conforme apurado, era administrada pelo irmão do senador, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, que também foi alvo da operação. A defesa dele não se pronunciou sobre o caso.

Em março, a PF havia encontrado no celular de Vorcaro mensagens trocadas com o senador e ordens de pagamento direcionadas a uma pessoa chamada Ciro, sem sobrenome. Na ocasião, Nogueira reconheceu conhecer Vorcaro, mas negou qualquer proximidade e a recepção de pagamentos.

A representação da PF descreve Felipe como parte do núcleo financeiro-operacional da organização criminosa investigada.

Além disso, a investigação revelou que Vorcaro teria disponibilizado um imóvel de alto padrão ao senador, custeando também hospedagens, deslocamentos e viagens internacionais luxuosas.

Entre os gastos registrados, destacam-se estadias em hotéis de luxo, como o Park Hyatt New York, e despesas atribuídas ao senador e sua acompanhante, incluindo um cartão para cobrir despesas pessoais.

A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, que também determinou o bloqueio de R$ 18,8 milhões em bens. Ao todo, a PF cumpriu dez mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária em vários estados, incluindo Piauí, Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo.

Nota da defesa de Ciro Nogueira:

“A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar. Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos. Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas.”

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