Wall Street aposta em novos tratamentos contra calvície para replicar sucesso do Ozempic, com ações farmacêuticas em alta de 500%
Investidores veem potencial em tratamentos para queda de cabelo após sucesso de medicamentos para obesidade.
O setor farmacêutico tem se mostrado lucrativo com o sucesso de medicamentos para a obesidade, e agora a atenção se volta para o mercado de tratamentos para queda de cabelo. A alopecia androgenética, uma das formas mais comuns de calvície, afeta milhões de pessoas nos Estados Unidos, gerando interesse significativo entre investidores.
A alopecia androgenética, conhecida como calvície de padrão masculino ou feminino, é uma condição que atinge aproximadamente 50 milhões de homens e 30 milhões de mulheres nos Estados Unidos. Os tratamentos atualmente disponíveis, como o minoxidil e a finasterida, têm suas limitações, pois não oferecem uma solução definitiva e podem causar efeitos colaterais indesejados.
O minoxidil é utilizado em formulações tópicas, enquanto a finasterida é administrada oralmente e atua em uma via hormonal relacionada à queda de cabelo. No entanto, a necessidade de uso contínuo para manutenção dos resultados representa um desafio para muitos pacientes.
Uma das empresas que se destaca nesse cenário é a Veradermics, que está desenvolvendo o VDPHL01, uma formulação oral de liberação prolongada de minoxidil. Essa nova abordagem visa proporcionar concentrações mais estáveis do princípio ativo no organismo, o que pode resultar em melhores resultados para os pacientes.
Recentemente, a Veradermics divulgou resultados promissores de um estudo de fase 2/3 com mais de 500 homens, onde foi observado um aumento significativo na quantidade de fios após seis meses de tratamento. Além disso, a empresa anunciou resultados positivos em um estudo com mulheres, apontando para a possibilidade de se tornar o primeiro tratamento oral aprovado especificamente para calvície de padrão feminino.
Outra inovação no mercado é a clascoterona, desenvolvida pela Cosmo Pharmaceuticals. Este medicamento tópico atua bloqueando a ação de andrógenos nos folículos capilares, uma das causas da calvície de padrão masculino. Os resultados de um estudo de fase 3 mostraram um crescimento contínuo dos fios entre os homens que mantiveram o tratamento por 12 meses, e a empresa está se preparando para solicitar aprovações regulatórias nos EUA e na Europa.
A Absci, por sua vez, está explorando uma abordagem mais futurista, utilizando inteligência artificial para desenvolver o ABS-201, um anticorpo projetado para atingir o receptor de prolactina. Embora ainda esteja em estágio inicial, os primeiros dados indicam um perfil favorável de segurança e a possibilidade de aplicações menos frequentes ao longo do tratamento.
Wall Street está atenta a esses avanços, pois os tratamentos com GLP-1 demonstraram transformar mercados antes limitados em produtos que geram bilhões em receita. Com uma base de 50 milhões de homens e 30 milhões de mulheres afetados pela calvície nos EUA, a expectativa é de que o mercado se expanda, permitindo a combinação e troca de diferentes tratamentos conforme necessário.
