WhatsApp se torna ferramenta estratégica na campanha eleitoral
A influência do WhatsApp nas campanhas eleitorais
Ao acessar o WhatsApp, é comum se deparar com conteúdos políticos compartilhados por amigos e familiares. Essas interações, muitas vezes informais, têm um papel significativo nas campanhas eleitorais, permitindo que eleitores comuns se tornem disseminadores de informações.
Recentemente, a dinâmica das eleições mudou, deixando de ser dominada apenas por meios tradicionais como televisão e rádio. Agora, plataformas como o WhatsApp se tornaram arenas de debate político, onde mensagens sobre candidatos e pesquisas eleitorais circulam em grupos de pessoas próximas, como família e amigos. Essa troca de informações é impulsionada pela confiança que os usuários depositam uns nos outros, o que torna a comunicação política mais eficaz.
Quando uma mensagem política é enviada por um conhecido, ela não é apenas uma informação, mas carrega um peso de credibilidade. O especialista em ciências políticas e comunicação digital João Paulo Borges destaca que, ao receber uma mensagem de um amigo ou parente, o eleitor não analisa apenas o conteúdo, mas também a relação de confiança existente. Essa confiança pode fazer com que o eleitor ignore a origem duvidosa da informação.
A política se mistura ao cotidiano
Esse fenômeno explica por que o WhatsApp funciona de forma diferente das redes sociais abertas. Em plataformas como Instagram ou TikTok, o usuário sabe que está consumindo conteúdo de perfis públicos, enquanto no WhatsApp a política se entrelaça com a vida diária.
A disseminação de informações políticas não precisa ser intencional. Muitas vezes, as pessoas compartilham conteúdos porque acreditam que são verdadeiros ou porque confirmam suas próprias opiniões. Isso cria um ambiente onde as mensagens que reforçam crenças pré-existentes são mais propensas a serem compartilhadas, formando bolhas informativas que podem intensificar a polarização política.
Os grupos de WhatsApp se tornam espaços onde os participantes consomem e interagem apenas com conteúdos que validam suas visões, dificultando o diálogo entre diferentes opiniões. A cientista política Daniela Costanzo destaca que essa microssegmentação é uma característica marcante da comunicação nas redes sociais.
A confiança pode ser um desafio
A relação pessoal que torna o WhatsApp um canal eficaz para a circulação de informações também complica a identificação de conteúdos falsos. Quando uma informação é compartilhada por alguém de confiança, é mais difícil desconfiar de sua veracidade.
Estudos sobre o uso do WhatsApp nas eleições de 2022 revelaram uma ampla circulação de conteúdos políticos. Análises mostraram que muitos grupos se fragmentaram em subgrupos menores para debater política, enquanto regras não oficiais surgiram para evitar conflitos. Essa dinâmica pode levar os indivíduos a silenciar ou sair de grupos para preservar relacionamentos pessoais.
A desinformação se sofisticou
As fake news que circulam nesses grupos também se tornaram mais complexas. Em vez de mentiras totalmente fabricadas, podem ser informações verdadeiras distorcidas ou descontextualizadas. Mensagens que geram emoções intensas, como raiva ou medo, tendem a se espalhar rapidamente.
Durante as eleições de 2026, informações falsas sobre candidatos e processos eleitorais foram amplamente disseminadas. Apesar de serem facilmente desmentidas, a resistência a informações que contradizem crenças pessoais dificulta a correção de desinformações.
A mudança começou em 2018
A comunicação política via aplicativos já existia, mas as eleições de 2018 marcaram uma mudança significativa no uso do WhatsApp no Brasil. Redes sociais e aplicativos de mensagens ganharam destaque nas campanhas, e muitos eleitores relataram que suas decisões foram influenciadas por informações recebidas nesses canais.
A confiança nas relações pessoais é um fator que contribui para a eficácia das mensagens políticas. Quando uma mensagem é compartilhada em grupos de amigos ou familiares, tende a ser recebida com mais credibilidade.
A atuação do TSE
Com o crescimento da comunicação política por meio de aplicativos, a Justiça Eleitoral intensificou sua atenção sobre essas plataformas. O TSE estabeleceu um diálogo com o WhatsApp para combater a desinformação, criando ferramentas para ajudar os eleitores a verificar informações durante o processo eleitoral.
Embora a legislação permita algumas formas de manifestação política em aplicativos, existem limites. Mensagens enviadas consensualmente em grupos restritos não estão sujeitas às mesmas regras de propaganda eleitoral, mas conteúdos que possam afetar