Xi Jinping aposta na paciência como estratégia contra os EUA e defende manutenção de tradições chinesas
EUA e China entram em trégua tecnológica, mas tensões permanecem.
Os Estados Unidos e a China estabeleceram uma pausa nas suas disputas tecnológicas, mas essa trégua não representa uma resolução definitiva. Ambas as nações acreditam que o tempo está a seu favor e possuem teorias distintas sobre como vencer a competição tecnológica.
A administração anterior dos EUA, sob Donald Trump, permitiu que a Nvidia vendesse seu chip H200, um dos mais avançados para inteligência artificial, a alguns clientes chineses. No entanto, chips mais estratégicos continuam sob restrições rigorosas. Essa medida não é um ato de generosidade, mas sim uma oportunidade de gerar receita para a Nvidia e seus aliados, enquanto a China permanece sem acesso a tecnologias críticas.
A estratégia do governo americano se baseia na crença de que a inteligência artificial será o motor da economia e da geopolítica nas próximas décadas. A ideia é que, ao manter sua vantagem tecnológica, os EUA possam solidificar essa posição antes que a China consiga alcançá-los. A trégua oferece um tempo precioso para que os modelos de IA dos EUA provem seu valor econômico.
A fragilidade estrutural da trégua
Por outro lado, a perspectiva chinesa é bastante distinta. Os líderes do país falam sobre um reequilíbrio da ordem industrial global, em vez de focar apenas na tecnologia da informação. Se o presidente Xi Jinping estivesse realmente preocupado com a falta de capacidade computacional, teria aceitado as GPUs H200, mas optou por não fazê-lo.
A China, sob a liderança de Xi, adota uma abordagem cautelosa em relação ao desenvolvimento da IA. Ele enfatiza que a modernização deve ser gradual e integrada aos setores existentes, priorizando a base industrial antes de avançar para a digitalização. O líder chinês considera a IA uma “tecnologia de época”, comparável a transformações históricas como a Revolução Industrial.
O problema de uma trégua em que ambos os lados acreditam que podem vencer é a sua instabilidade inerente. Nenhuma das partes confunde a trégua com a paz. Enquanto a China continua a fornecer terras raras aos EUA, Washington adiou restrições sobre fabricantes chineses de chips. Nos bastidores, ambos os lados se preparam para novos conflitos nas cadeias de suprimento.
A atual estratégia industrial da China se concentra em áreas como semicondutores, inteligência artificial, biotecnologia e baterias, priorizando setores que exigem grandes investimentos de capital. Essa abordagem indica que o governo chinês está disposto a aceitar custos sociais em troca de capacidade estratégica.
Os EUA, por sua vez, apostam que essa capacidade se tornará irrelevante se a IA redefinir as regras do jogo antes que a China consiga implementá-la. Ambas as visões são coerentes, mas também podem estar equivocadas, o que torna essa trégua uma solução temporária.
