Meta desiste de monitorar funcionários diante de reação negativa
Meta ajusta coleta de dados para treinamento de inteligência artificial após resistência de funcionários.
A Meta anunciou mudanças em sua política de coleta de dados, que envolve o monitoramento de movimentos de mouse e digitações de funcionários, após forte resistência interna.
Em um memorando, o vice-presidente da unidade Superintelligence Labs, Stephane Kasriel, revelou que os funcionários agora poderão pausar a coleta de dados por até 30 minutos e solicitar exceções ao programa. Essas mudanças visam responder às preocupações sobre privacidade e o impacto no desempenho dos computadores.
A empresa também implementou melhorias para reduzir o consumo de bateria e o uso de dados, que haviam gerado reclamações entre os empregados. Kasriel destacou que, apesar da confiança nas medidas de proteção de privacidade, a Meta decidiu ouvir as preocupações dos colaboradores sobre a coleta de dados em dispositivos de trabalho.
Recentemente, a Meta havia introduzido um novo software de rastreamento para capturar as atividades dos funcionários, com o objetivo de treinar seus modelos de IA. Essa iniciativa faz parte de um esforço maior para desenvolver agentes de IA capazes de realizar tarefas de forma autônoma.
A reação negativa dos funcionários foi significativa, com muitos comparando a empresa a uma “fábrica de extração de dados”. As preocupações também se estendem a possíveis problemas regulatórios na União Europeia, onde a coleta de dados é um assunto delicado.
Além disso, a Meta agora permitirá que um grupo restrito de funcionários pause o rastreamento, especialmente aqueles que trabalham remotamente ou lidam com informações sensíveis. Contudo, a maioria dos colaboradores ainda precisará permitir o monitoramento de suas atividades.
O programa, conhecido como Model Capability Initiative (MCI), já havia enfrentado protestos antes de sua implementação, especialmente após demissões em massa na empresa. Em uma reunião recente, o CEO Mark Zuckerberg defendeu a coleta de dados, afirmando que observar funcionários talentosos é crucial para acelerar o aprendizado da IA.
Zuckerberg garantiu que os dados não seriam usados para vigilância ou avaliação de desempenho, enfatizando que o foco é aprimorar os modelos de IA com base nas interações dos usuários. Ele também sugeriu que, se o sistema se mostrar eficaz, a Meta pode expandir essas práticas no futuro.
