Michelle desconsidera campanha de Flávio Bolsonaro e compromete estratégia para conquistar eleitorado feminino
Tentativa de Flávio Bolsonaro de se aproximar do eleitorado feminino enfrenta resistência.
A pré-campanha à Presidência da República de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) busca se conectar com o eleitorado feminino, mas enfrenta desafios significativos, especialmente com a postura de Michelle Bolsonaro (PL).
No evento de lançamento da pré-candidatura de Thiago Manzoni (PL-DF) à Câmara dos Deputados, os membros da equipe de Flávio esperavam um apoio explícito de Michelle. No entanto, durante seu discurso, ela não fez menção direta à candidatura do filho de Jair Bolsonaro (PL).
A única referência ao apoio ocorreu em uma conversa com jornalistas, onde Michelle afirmou que apoiaria Flávio “no momento certo”. Essa declaração, no entanto, não foi suficiente para acalmar as tensões na pré-campanha, uma vez que aliados de Flávio acreditam que esse momento já deveria ter chegado.
A necessidade de demonstrações públicas de unidade entre os bolsonaristas se torna cada vez mais urgente, especialmente após a atual governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), sugerir que Michelle poderia ser uma candidata viável à Presidência.
A preocupação da equipe de Flávio foi intensificada por uma pesquisa recente que indicou uma queda em seu desempenho nas intenções de voto contra o presidente Lula (PT). O levantamento revelou que Lula tem 44% das intenções de voto no segundo turno, em comparação com 38% de Flávio, uma mudança significativa em relação a empates anteriores.
Além disso, a campanha enfrenta o impacto negativo de um caso envolvendo Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, que ganhou notoriedade após a divulgação de áudios que revelam negociações de financiamento para um filme sobre Jair Bolsonaro. A maioria do público acredita que Flávio errou ao buscar esse apoio financeiro.
Em resposta a esses desafios, a equipe de Flávio está buscando reforçar sua imagem e estabelecer conexões com eleitoras que tradicionalmente se mostram resistentes ao bolsonarismo. Uma das estratégias é destacar a importância de lideranças femininas em sua campanha.
Recentemente, Flávio expressou a intenção de incluir mulheres em cargos de destaque, tanto para a vice-presidência quanto para a área econômica em um possível governo. Nomes como o da ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina (PP-MS), estão sendo considerados para a chapa presidencial.
No campo econômico, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, surge como uma figura central no projeto. Ela vem participando ativamente da elaboração do programa de governo e é vista por alguns aliados como uma referência importante, comparável ao papel de Paulo Guedes na campanha de 2018.
Apesar dessas movimentações, a participação de Michelle é considerada crucial para legitimar as escolhas de Flávio. A percepção é de que um apoio público da ex-primeira-dama fortaleceria a mensagem direcionada ao eleitorado feminino.
Por isso, a campanha busca mais do que uma simples declaração de apoio, mas sim a “anuência” de Michelle. No entanto, a ex-primeira-dama continua a priorizar a recuperação de Jair Bolsonaro, adiando seu engajamento direto na disputa presidencial.
