Carne deve manter preços altos apesar da queda nas exportações para a China

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Brasil enfrenta limites na cota chinesa, impactando a compra de bois pelos frigoríficos.

O Brasil se aproxima do limite da cota de exportação de carne bovina para a China, levando frigoríficos a reduzir a compra de bois. Essa situação gera preocupações sobre a disponibilidade e os preços da carne no mercado interno.

Apesar da diminuição nas compras, a expectativa é de que a carne se torne ainda mais cara no último trimestre do ano. Economistas preveem que a combinação de fatores, incluindo a alta demanda interna e a limitação das exportações, resultará em preços elevados nas prateleiras dos supermercados.

  • 🥩Por que a carne não deve baratear? A redução no abate de bois pelos frigoríficos significa que há menos carne sendo produzida. Sem um aumento na oferta, os preços tendem a permanecer altos.
  • 🥩O que vai fazer o preço crescer? A carne destinada à China é enviada por navios, com um tempo de viagem de cerca de 40 dias. A renovação da cota em janeiro reabrirá o mercado chinês, levando os frigoríficos a focar na produção para atender a essa demanda. Além disso, o consumo interno aumenta durante as festas de fim de ano, pressionando ainda mais os preços.

As cotas estabelecidas pela China mudaram a dinâmica do mercado de carne bovina no Brasil. Historicamente, a demanda chinesa aumentava no segundo semestre, especialmente para o Ano Novo Chinês. Com a criação da cota, os frigoríficos competem para exportar antes que o limite seja atingido, resultando em preços recordes. Em abril, o preço do boi gordo alcançou R$ 365.

Com a diminuição das compras chinesas, o setor de frigoríficos começou a reduzir o abate de bois. Entre maio de 2025 e maio de 2026, a queda foi de quase 3%, e a expectativa é de uma retração ainda maior nos próximos meses. Apesar disso, os animais continuam disponíveis para venda, e o preço do boi gordo atualmente gira em torno de R$ 330.

A atividade de pecuária é de ciclo longo, o que dificulta cortes rápidos na produção. As decisões sobre a produção são tomadas de maneira lenta, e embora os preços estejam em queda agora, essa tendência pode mudar rapidamente. O setor se prepara para enviar carne à China em janeiro, o que pode reduzir a disponibilidade de gado para abate.

“O grande problema é que haverá menor disponibilidade de gado para abate, especialmente devido ao clima seco causado pelo super El Niño, que impacta a condição do pasto”, afirma um analista.

Esse conjunto de fatores deve encarecer a carne no Brasil, especialmente em um período de alta demanda interna devido às festas de fim de ano.

Como fica o preço agora?

Atualmente, a procura por carne no Brasil é baixa, o que não sustenta os preços pagos aos produtores. A eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo trouxe um impacto negativo nas expectativas de vendas.

Embora as férias coletivas nos frigoríficos não resultem em uma redução da oferta no mercado interno, elas apenas mantêm o volume exportado. A tendência é de estabilidade nos preços ao consumidor, mas a situação pode mudar rapidamente.

China pode ser substituída?

Perder o mercado chinês no segundo semestre poderia significar um prejuízo de até US$ 2 bilhões. No entanto, as exportações não serão totalmente interrompidas, e os exportadores brasileiros estão buscando novos mercados, como Argentina e Uruguai.

Outros países que ainda exportam para a China com tarifas reduzidas podem aumentar as compras de carne brasileira, já que muitos deles não conseguem atender simultaneamente à demanda interna e à chinesa.

As cotas foram criadas pela China para estimular a produção local de carne bovina, mas atualmente, os pecuaristas chineses não conseguem atender à demanda interna, resultando em preços elevados no país.

“A China compreende que, para recuperar seu setor, precisará oferecer preços mais altos à sua população. Sem um aumento nos preços, não haverá alta no boi”, explica um especialista.

Se os preços na China continuarem altos, o país poderá rever as restrições e ampliar as importações do

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