Empresas brasileiras buscam oportunidades no setor de petróleo da Venezuela

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Empresas brasileiras buscam expandir operações no setor de petróleo da Venezuela.

Duas empresas brasileiras estão atentas a novas oportunidades no setor petrolífero da Venezuela. A Alvorada Heavy Industries já está produzindo petróleo no país e planeja expandir suas operações, enquanto a J&F, através da petroleira Fluxus, ainda está em fase de monitoramento e não anunciou aquisições ou contratos na região.

Ambas as empresas buscam se posicionar na reestruturação da indústria venezuelana após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro de 2026. A Alvorada, que atua na Venezuela desde 2024, começou a produção efetiva de petróleo em 2025, operando em três blocos na Faixa Petrolífera do Orinoco, com uma produção atual de cerca de 4.000 barris por dia. A meta é aumentar essa produção para 20.000 barris diários em até dois anos.

A empresa também planeja expandir suas operações para serviços, logística e processamento, com um projeto em avaliação que poderia elevar a produção total a 30.000 barris por dia. Para garantir segurança jurídica sob as sanções dos Estados Unidos, a Alvorada busca uma licença específica da Ofac (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros).

A J&F, por outro lado, está em uma fase mais inicial e afirma não ter ativos na Venezuela. A entrada no mercado seria feita pela Fluxus, que já possui ativos na Argentina e na Bolívia. Joesley Batista, um dos controladores da J&F, se reuniu com Delcy Rodríguez e autoridades norte-americanas para discutir a abertura do setor venezuelano.

A situação da J&F é mais delicada devido à sua exposição no mercado de capitais dos Estados Unidos. A JBS, uma de suas empresas, tem ações negociadas na NYSE, enquanto o PicPay abriu capital na Nasdaq em janeiro de 2026. Embora a listagem não transforme automaticamente todas as empresas da holding em companhias norte-americanas, ela aumenta a vigilância de investidores e reguladores sobre negócios com a Venezuela.

As sanções dos EUA têm historicamente restringido transações com a PDVSA e o setor de petróleo e gás venezuelano, considerado estratégico para o financiamento do governo local. Após a captura de Maduro, o governo dos EUA começou a criar um caminho jurídico para novos investimentos, mantendo o controle sobre as condições de acesso ao mercado.

Em junho de 2026, a Ofac publicou licenças que permitem o comércio de petróleo venezuelano e a operação de determinados projetos. As licenças gerais podem ser utilizadas por todos que cumpram suas condições, enquanto as específicas são concedidas a empresas ou transações específicas.

A Alvorada e a Fluxus não estão listadas nas licenças gerais e precisam demonstrar que suas operações estão cobertas por outra autorização ou obter uma licença específica. O regime atual também exclui empresas russas, chinesas e iranianas, sendo utilizado pelos EUA para reduzir a presença desses países no setor. Recentemente, o chanceler russo afirmou que empresas de seu país estão sendo forçadas a deixar a Venezuela.

PRESIDENTE REFORMISTA

A Venezuela nacionalizou sua indústria petrolífera em 1976, e após uma breve abertura nos anos 1990, o governo de Hugo Chávez ampliou o controle estatal. Em 2007, os projetos privados foram obrigados a se integrar a empresas mistas controladas pela PDVSA.

Esse modelo de participação estrangeira não permite que as companhias privadas recebam concessões diretas, mas sim que adquiram participações minoritárias em sociedades com a PDVSA. Isso levou à saída de grandes empresas, como ExxonMobil e ConocoPhillips, que não aceitaram as condições do governo, enquanto a Chevron manteve sua presença no país.

A abertura para operadores privados começou antes da captura de Maduro, com a aprovação da Lei Antibloqueio em 2020, permitindo a negociação de Contratos de Participação Produtiva (CPPs), que possibilitam que uma empresa assuma a gestão integral de um projeto.

Delcy Rodríguez, que foi uma das principais defensoras desse modelo, conduziu a reforma da Lei Orgânica de Hidrocarbonetos em janeiro de 2026, incorporando formalmente os CPPs à legislação. Essa reforma ampliou a autonomia dos operadores e permitiu a atuação de empresas privadas em campos por contrato.

Os contratos adquiridos pela Alvorada se alinham a

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