Facebook se assemelha cada vez mais à Marlboro dos anos 70
A Meta enfrenta processo legal significativo sobre vícios em redes sociais entre jovens.
A Meta está passando por um dos processos legais mais importantes de sua trajetória, com um grupo de 29 estados dos EUA acusando a empresa de criar Facebook e Instagram com o intuito de promover um uso viciante entre crianças e adolescentes. Este caso pode durar cerca de seis semanas e resultar em pesadas penalidades financeiras, além de possíveis mudanças obrigatórias no design das plataformas.
O procurador-geral da Califórnia descreveu o processo como o “momento tabaco” da Meta, uma comparação que evoca a luta das empresas de tabaco contra acusações de viciação. As alegações afirmam que a Meta tinha conhecimento dos efeitos viciantes de suas plataformas, mas continuou a otimizar suas funcionalidades para aumentar o tempo de uso e, consequentemente, a receita publicitária.
Os mecanismos de engajamento das redes sociais, como a rolagem infinita e as notificações constantes, são comparáveis à nicotina, pois foram projetados para manter os usuários nas plataformas. Um ex-diretor de engenharia da Meta, que testemunhou no julgamento, declarou que a empresa priorizou o crescimento em detrimento da proteção dos menores.
No julgamento, o papel do júri é consultivo, e a decisão final ficará a cargo da juíza federal Yvonne González Rogers. A acusação busca uma indenização que pode chegar a 200 bilhões de dólares, enquanto a Meta estima que uma interpretação extrema da multa poderia ultrapassar 1,4 trilhão de dólares.
Recentemente, um júri de Los Angeles responsabilizou a Meta e o YouTube em um caso sobre o design viciante das redes sociais, resultando em uma indenização de 6 milhões de dólares. Há uma série de processos semelhantes em andamento nos EUA, que podem estabelecer precedentes e forçar mudanças significativas nas práticas de design das plataformas.
Diferente do tabaco, a relação entre o uso de redes sociais e problemas de saúde mental é mais complexa. A Meta argumenta que a acusação simplifica evidências científicas e não demonstra que suas plataformas sejam a causa direta de problemas de saúde mental.
Apesar do processo, o Facebook e o Instagram continuam a ser potências publicitárias, e escândalos de privacidade anteriores não afetaram substancialmente a resiliência da empresa. As multas podem não ser um suficiente desincentivo, e resta saber se a juíza González Rogers irá implementar mudanças significativas nas práticas da Meta.
