Reino Unido enfrenta invasão histórica com captura de polpos superando total da frota galega em dois anos
Invasão de polvos transforma a economia pesqueira do Reino Unido.
No início de 2025, a ciência fez uma descoberta surpreendente sobre os polvos, revelando que essas criaturas, conhecidas por sua inteligência, possuem um “cérebro” em cada tentáculo, permitindo-lhes agir com precisão e independência. Essa característica levou o Reino Unido a enfrentar uma invasão de polvos, que se tornaram uma presença marcante nas águas britânicas.
O litoral sul da Inglaterra experimentou uma chegada em massa de polvos-do-mediterrâneo, uma espécie raramente vista naquela região. Os pescadores de Brixham, o principal porto do sudoeste, relataram capturas inesperadas, com suas redes transbordando de cefalópodes, resultando em ganhos financeiros significativos que chegaram a 10 mil libras por semana.
Durante a temporada de 2025, mais de 12.000 toneladas de polvos foram leiloadas, com picos diários de até 48 toneladas. Isso fez de Brixham a “capital do polvo” do Reino Unido, com restaurantes e lojas adotando a espécie como um símbolo local, destacando-a em cardápios e vitrines.
No ano seguinte, em junho de 2026, uma única captura em Brixham foi avaliada em 500 mil libras, com outras embarcações registrando capturas diárias entre 20 e 36 toneladas. Essa proliferação de polvos trouxe alívio econômico, mas também gerou preocupações para os pescadores de caranguejos e lagostas, cujas armadilhas foram ocupadas pelos polvos, resultando em perdas significativas.
Cientistas atribuem o fenômeno ao aquecimento das águas, que tornou o ambiente mais favorável para os polvos-do-mediterrâneo. Essa mudança é um sinal claro das alterações climáticas, refletindo uma realidade que antes parecia impossível.
Embora a abundância de polvos tenha proporcionado benefícios econômicos, os pescadores de crustáceos enfrentam um cenário preocupante. A captura de caranguejos e lagostas caiu drasticamente, com uma análise mostrando reduções de até 95% em algumas embarcações. A situação se agravou com relatos de pescadores que passaram a encontrar apenas restos em suas armadilhas, ameaçando a viabilidade de seus negócios.
Dados demonstram que durante as temporadas de 2024-2025 e 2025-2026, a Galícia desembarcou aproximadamente 2.443 toneladas de polvos, enquanto o Reino Unido superou essa marca apenas no primeiro semestre de 2026, com 3.200 toneladas. Em maio de 2026, o Reino Unido isoladamente ultrapassou 1.100 toneladas, evidenciando a magnitude do fenômeno.
A última grande proliferação de polvos em águas inglesas ocorreu na década de 1950, quando a espécie surgiu em massa e desapareceu rapidamente. Essa imprevisibilidade gera incertezas para os pescadores, que dependem da continuidade do boom e da saúde das populações de crustáceos.
Em 2026, a Marine Biological Association confirmou outra explosão populacional, com mais de 1.200 toneladas desembarcadas em uma única temporada. O aumento na população de polvos também teve repercussões culturais, tornando-se um símbolo da identidade local em Brixham, com murais e pratos inovadores ganhando destaque.
Em resposta à situação, a Cornwall IFCA propôs uma moratória emergencial que proíbe grandes embarcações de utilizar armadilhas para captura de polvos, enquanto um programa de amostragem foi lançado para monitorar a situação. A invasão de polvos reflete a complexa interação entre mudanças climáticas, economia pesqueira e ecologia marinha, com pescadores vivendo uma realidade em que seu meio de subsistência depende tanto das flutuações climáticas quanto do comportamento imprevisível desses cefalópodes.
