Trump promete respeitar resultado das eleições no Brasil, mesmo com possível vitória de Lula, afirma Amorim

Compartilhe essa Informação

Celso Amorim acredita que Trump respeitará resultado das eleições brasileiras.

Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, expressou confiança de que Donald Trump respeitará o resultado das eleições brasileiras, mesmo que Lula vença o segundo turno. A declaração foi feita em uma entrevista recente, destacando a importância do respeito à democracia nas relações internacionais.

Amorim enfatizou que, embora Trump possa ter preferências pessoais, ele reconhecerá o novo chefe de Estado brasileiro. O ex-chanceler mencionou um telefonema em que Trump desejou boa sorte a Lula, o que indica uma disposição para respeitar o processo eleitoral, independentemente de suas opiniões pessoais.

O apoio de Trump a Flávio Bolsonaro é evidente, especialmente após o primeiro turno das eleições, quando Trump classificou o resultado como uma “grande vitória”. No entanto, o presidente dos EUA tem se mantido evasivo em relação ao apoio explícito a qualquer candidato, refletindo as tensões entre os dois países. As relações entre o governo dos EUA e Brasília estão marcadas por pressões sobre sanções e tarifas, além de questões diplomáticas delicadas.

Recentemente, o Departamento de Estado dos EUA reafirmou seu apoio ao direito dos brasileiros a eleições livres e justas, mas não se comprometeu a respeitar o processo eleitoral conforme solicitado por parlamentares. Essa ambiguidade gera preocupações sobre a interferência externa nas eleições brasileiras.

Amorim também comentou sobre um incidente envolvendo a Meta, que resultou em prejuízos para perfis ligados a Lula, enquanto contas associadas a Flávio Bolsonaro foram favorecidas. Ele considerou essa situação “muito grave” e indicou que a interferência nas redes sociais pode ter consequências duradouras, independentemente do resultado das eleições.

O assessor destacou que empresas como a Meta, que desempenham um papel significativo no setor de tecnologia e inteligência artificial, têm conexões próximas com o governo Trump. No entanto, Amorim se absteve de fazer acusações diretas, sugerindo que as elites políticas podem estar interconectadas de maneiras que influenciam decisões em outros países.

Escudo das Américas e Itamaraty

Amorim expressou preocupações sobre a adesão do Brasil ao Escudo das Américas, uma iniciativa dos EUA para combater o narcotráfico. Flávio Bolsonaro manifestou interesse em integrar o Brasil a esse programa, que Amorim descreveu como um “cerco” ao país, citando exemplos de intervenções americanas na região.

Ele alertou sobre os riscos associados a essa iniciativa, mencionando os ataques dos EUA a embarcações no Caribe e a complexidade da situação na Venezuela. Para Amorim, essas ações representam um risco inaceitável para o Brasil.

O presidente argentino, Javier Milei, um dos principais apoiadores do Escudo, tem feito declarações hostis a Lula e ao Judiciário brasileiro, levando o governo brasileiro a retirar seu embaixador de Buenos Aires. Amorim classificou as declarações de Milei como “lamentáveis” e expressou esperança de que as relações entre Brasil e Argentina possam ser restauradas.

Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e residente nos EUA, prometeu uma “faxina” no Itamaraty, ameaçando diplomatas alinhados ao governo Lula. Amorim considerou essa perspectiva “terrível” e disse que, embora não veja risco imediato, qualquer influência negativa seria preocupante.

O assessor elogiou a atuação do ministro Mauro Vieira no Itamaraty, reconhecendo os avanços na carreira diplomática, mas também apontou problemas internos, como atrasos em reembolsos e a falta de políticas afirmativas de gênero e raciais, que precisam ser abordados para melhorar a eficácia do ministério.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *