China retoma importações de frango do Rio Grande do Sul após fim de embargo
China encerra embargo à importação de carne de frango do Rio Grande do Sul após surto sanitário.
Após um período de um ano e meio de restrições, a China anunciou o fim do embargo à importação de carne de frango proveniente do Rio Grande do Sul. A decisão foi divulgada pelas autoridades chinesas na sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, e confirmada pelo Ministério da Agricultura brasileiro e por associações do setor na terça-feira, 20 de janeiro de 2026.
A suspensão das importações havia sido imposta em julho de 2024, após a confirmação de um surto da Doença de Newcastle no Estado. Na época, a situação levou o Rio Grande do Sul a entrar em emergência zoossanitária por aproximadamente três semanas.
O comunicado oficial que revogou o embargo foi emitido pela Administração Geral das Alfândegas da China e pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais do país, fundamentando-se em análises de risco sanitário que demonstraram a eficácia das medidas de controle implementadas.
Em maio de 2025, um novo caso de gripe aviária foi registrado em uma granja no município de Montenegro. Contudo, em junho do mesmo ano, o Brasil foi declarado livre da gripe aviária após 28 dias sem novos casos. Em novembro de 2025, a China havia liberado as importações de frango de outros estados brasileiros, mas manteve a proibição ao Rio Grande do Sul até agora.
Impacto econômico
A ausência do mercado chinês teve um impacto significativo nas exportações gaúchas. Em 2024, o embargo resultou em uma queda de cerca de 1% nas exportações de carne de frango do Estado. Antes da restrição, a China representava quase 6% dos embarques de frango do Rio Grande do Sul, e a perda foi parcialmente compensada por vendas a outros países.
Com a retomada das exportações, o Ministério da Agricultura destacou que isso ocorreu após a comprovação das medidas de controle e erradicação da doença, seguindo os protocolos internacionais de saúde animal.
Retomada estratégica
A Abpa (Associação Brasileira de Proteína Animal) afirmou que a reabertura do mercado chinês é um avanço importante para a normalização dos fluxos comerciais. A entidade ressaltou a credibilidade do sistema sanitário brasileiro e o reconhecimento internacional do modelo de resposta adotado.
As negociações para a reabertura envolveram um diálogo contínuo com as autoridades chinesas, onde foram enviados dados detalhados sobre as ações de controle e erradicação, além do alinhamento com os protocolos internacionais de saúde animal.
As expectativas do setor são de uma retomada gradual dos embarques, conforme os sistemas de habilitação forem atualizados e os certificados sanitários forem liberados. A China é considerada um dos principais destinos do frango brasileiro e desempenha um papel estratégico no equilíbrio do comércio internacional da proteína animal.
