Irã afirma que negociação não põe fim à guerra
Conselho Supremo de Segurança do Irã declara “derrota histórica” dos EUA em recente conflito.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, sob a liderança do aiatolá Mojtaba Khamenei, anunciou que o cessar-fogo estabelecido no conflito com os Estados Unidos e Israel não representa o fim da guerra.
No comunicado emitido após a confirmação de uma trégua de 14 dias, o órgão afirmou que o adversário sofreu uma “derrota inegável, histórica e esmagadora” em sua luta contra a nação iraniana. Esse pronunciamento reflete a perspectiva do Irã sobre os resultados dos confrontos que duraram 40 dias.
De acordo com o texto, o país conseguiu atingir seus objetivos militares e políticos, forçando os EUA a considerar um plano com 10 pontos. Entre as exigências estão garantias de não agressão, manutenção do controle sobre o estreito de Ormuz, suspensão de sanções e retirada das forças norte-americanas da região.
Apesar do anúncio de negociações, o Conselho ressalta que o conflito continua. O comunicado enfatiza que “isso não significa o fim da guerra”, e qualquer cessação das hostilidades dependerá da formalização dos termos discutidos. O Irã condiciona a paz à conclusão e consolidação política dos acordos.
Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos declarou uma trégua de duas semanas, afirmando que a medida visa encerrar o conflito. Ele justificou a decisão pelo cumprimento dos objetivos militares e pelo progresso nas negociações para um acordo de paz definitivo.
O governo iraniano confirmou a pausa e a reabertura do estreito de Ormuz, apresentando a decisão como resultado da pressão militar, e não como uma concessão.
O comunicado do Conselho indica que os EUA começaram a buscar diálogo ao perceber que não conseguiriam vencer a guerra. Relatos sugerem que, cerca de 10 dias após o início dos combates, Washington já havia iniciado contatos por diferentes canais em busca de um cessar-fogo.
O órgão iraniano afirmou que manterá a ofensiva se as negociações não avançarem. O texto declara que, se a rendição do inimigo no campo de batalha não resultar em uma conquista política decisiva, o Irã lutará até que todas as suas demandas sejam atendidas.
As negociações estão previstas para ocorrer em Islamabad, no Paquistão, com uma duração inicial de até 15 dias. O Irã participará das conversas “com desconfiança”, tratando o processo como uma extensão do campo de batalha.
Adicionalmente, o Conselho pediu unidade interna durante esse período. A coesão política e social foi considerada crucial para o que o Irã classifica como uma vitória, e deve ser mantida enquanto os termos do acordo são discutidos.
