Alemanha encontra solução para lixo nuclear a 800 metros de profundidade em rocha de 175 milhões de anos
Pesquisa na Suíça investiga o armazenamento seguro de resíduos nucleares.
A energia nuclear é uma fonte eficiente de eletricidade limpa, mas apresenta desafios significativos, como o risco de vazamentos e a gestão do lixo nuclear. A solução tradicional envolve o armazenamento em depósitos subterrâneos, onde o resíduo pode permanecer por centenas de milhares de anos. A questão crítica que surge é: onde esses depósitos devem ser localizados? Uma equipe de pesquisa internacional, liderada por cientistas alemães, está realizando perfurações em uma montanha na Suíça para encontrar respostas.
O projeto, denominado DEBORAH, que significa “Perfuração profunda para desvendar a hidrogeologia do anticlinal de Mont Terri”, visa documentar as camadas geológicas e suas propriedades. Um dos materiais de interesse é a argila Opalinus, que se destaca por suas características únicas.
Este experimento é uma colaboração entre o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ), o Instituto Federal Alemão de Geociências e Recursos Naturais (BGR), o Serviço de Resíduos Nucleares do Reino Unido (NWS) e pesquisadores da Universidade de Berna, na Suíça. O objetivo é entender melhor a viabilidade da argila como um repositório para resíduos radioativos.
A relevância desse estudo se dá pela possibilidade de que a argila Opalinus seja a rocha ideal para o armazenamento seguro de resíduos nucleares. Enquanto a Suíça já decidiu seguir com a argila como solução, Alemanha e Reino Unido ainda aguardam os resultados das análises de perfuração. Informações como a quantidade de água que se infiltra e a taxa de infiltração são essenciais para garantir a segurança do armazenamento, uma vez que até mesmo vazamentos pequenos podem contaminar os aquíferos.
A argila Opalinus, com cerca de 175 milhões de anos, é uma rocha argilosa do Jurássico Médio, caracterizada por sua baixa permeabilidade, o que a torna um candidato promissor para armazenamento nuclear. Sua capacidade de deformar-se sob pressão, em vez de se quebrar, é uma propriedade vantajosa para instalações de armazenamento de resíduos.
O estudo da argila não é recente; a pesquisa sobre suas propriedades já dura 30 anos. Além da baixa permeabilidade, a argila Opalinus possui características como plasticidade e a habilidade de reter radionuclídeos, fatores que a tornam ainda mais atraente para o armazenamento de resíduos nucleares. A avaliação de como a argila se comporta em profundidades maiores, onde as condições de temperatura e pressão variam, é crucial para sua aplicação prática.
No cantão suíço de Jura, próximo à cidade de Saint-Ursanne, localiza-se Mont Terri, onde uma plataforma de perfuração está em operação. Através de um túnel rodoviário, o laboratório subterrâneo está situado a 150 a 200 metros abaixo da superfície, e a perfuração avança até 800 metros de profundidade.
A técnica utilizada é a perfuração com uma broca de núcleo oco, que permite a extração de colunas de rocha intactas para análise em laboratório. Cada avanço na perfuração fornece informações sobre a idade, composição e fraturas da rocha, além de seu comportamento em contato com a água. Métodos sísmicos e gravimétricos complementam a pesquisa, oferecendo uma visão abrangente do que se encontra a centenas de metros abaixo da superfície.
