Alesp registra 19 assinaturas para a CPI do Master, afirma Guilherme Cortez

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Deputado busca instaurar CPI sobre fraudes do Banco Master na Alesp

O deputado estadual Guilherme Cortez (Psol-SP) anunciou ter conseguido 19 das 32 assinaturas necessárias para solicitar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para investigar fraudes relacionadas ao Banco Master. O parlamentar, que é pré-candidato à Câmara dos Deputados, tem como objetivo investigar possíveis ligações entre a instituição financeira e diversas prefeituras do Estado.

Uma das principais motivações para a instauração da CPI é a doação de R$ 2 milhões feita por Fabiano Zettel à campanha do governador Tarcísio de Freitas. Zettel, que é cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi identificado pela Polícia Federal como um operador do esquema e encontra-se detido desde 4 de março.

Em uma entrevista à coluna Estadão/Broadcast, Cortez revelou que tem encontrado dificuldades para avançar com a proposta da CPI, especialmente devido à proximidade das eleições federais. Ele acredita que a mobilização pública pode ser um fator crucial para o progresso da iniciativa.

“Existe uma estratégia, desde governos anteriores, de bloquear CPIs relevantes. Hoje temos CPIs com temas amplos, que acabam não comprometendo governos. Eu mesmo já participei de outras que terminaram sem resultado prático. Então, o primeiro passo é romper esse bloqueio. Estamos dialogando com parlamentares, inclusive da base do governo, para conseguir avançar.”

Em relação ao cenário eleitoral para o governo de São Paulo, Cortez destacou que as privatizações promovidas por Tarcísio de Freitas, como a da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), devem ser um tema central na campanha do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad.

“A privatização da Sabesp se mostrou uma tragédia para a população. Era previsível pelos exemplos no Brasil e no mundo. A conta aumentou, houve perda de qualidade e transparência, e o foco passou a ser lucro para acionistas. Esse modelo vai ter que ser revisto.”

O deputado também expressou preocupação com a falta de atenção às questões do interior paulista na pauta eleitoral. Segundo ele, a atual gestão não tem dado a devida importância a essas regiões, que são vistas como “caipiras” por Tarcísio.

“Eu tenho me dedicado muito a dois temas: o debate geracional e o interior de São Paulo. Existe uma ideia equivocada de que o interior está perdido para a esquerda. Há lideranças locais, movimentos e pessoas que representam contrapontos importantes. É preciso organização e presença”, concluiu.

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