Alta do diesel preocupa setor de transporte de cargas no Rio Grande do Sul

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SETCERGS alerta que reajuste anunciado pela Petrobras pode impactar custos logísticos e pressionar contratos de frete

O Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Rio Grande do Sul (SETCERGS) divulgou uma nota de posicionamento alertando para os impactos do recente aumento no preço do óleo diesel no setor de transporte rodoviário de cargas. A entidade afirma acompanhar com atenção o cenário internacional, especialmente as tensões envolvendo o Irã e os riscos relacionados ao possível fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.

Segundo o sindicato, o contexto geopolítico pode provocar reflexos no abastecimento mundial de combustíveis e pressionar ainda mais o mercado de derivados de petróleo, incluindo o diesel — principal insumo utilizado pelas transportadoras.

A preocupação se intensificou após o anúncio de reajuste realizado pela Petrobras na manhã desta sexta-feira. O preço do diesel vendido às distribuidoras passou de cerca de R$ 2,74 para aproximadamente R$ 3,12 por litro, o que representa um aumento de R$ 0,38, equivalente a uma elevação de cerca de 13,9% no valor do combustível nas refinarias.

De acordo com o SETCERGS, variações dessa magnitude impactam diretamente a estrutura de custos do transporte rodoviário de cargas, atividade que depende fortemente do diesel para sua operação diária. O sindicato ressalta que o combustível representa um dos principais componentes do custo operacional das empresas transportadoras.

A entidade destaca ainda que cada empresa conhece com precisão o peso do combustível em sua operação e que oscilações abruptas no preço do diesel podem comprometer a sustentabilidade econômica dos contratos de transporte.

Diante desse cenário, o sindicato orienta que as transportadoras mantenham diálogo constante com seus contratantes para avaliar eventuais recomposições no valor do frete sempre que houver aumentos significativos no preço do combustível. Segundo o SETCERGS, o setor trabalha com margens reduzidas e não possui capacidade de absorver aumentos expressivos e repentinos em seu principal insumo.

A entidade também acompanha as medidas anunciadas pelo Governo Federal para tentar reduzir os impactos no preço do combustível, entre elas a proposta de isenção dos tributos de PIS e Cofins sobre o diesel. No entanto, o sindicato ressalta que a medida se aplica apenas à parcela fóssil do combustível, que corresponde a cerca de 85% da composição do diesel comercializado no país.

Os 15% restantes correspondem ao biodiesel, componente obrigatório na mistura, que permanece sujeito à tributação e também influencia a estrutura de custos do transporte rodoviário de cargas.

O SETCERGS informou que continuará monitorando o cenário internacional e seus possíveis reflexos no mercado brasileiro de combustíveis, mantendo diálogo com autoridades e com o setor produtivo para garantir maior previsibilidade e segurança às operações logísticas no Estado e no país.

A entidade representa empresas do setor de transporte de cargas e logística no Rio Grande do Sul e atua na defesa de condições operacionais equilibradas para o desenvolvimento da atividade econômica.

Foto: Divulgação

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