Embrapa e Equador firmam parceria para prevenir doenças da banana no Brasil

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Brasil e Equador firmam parceria para garantir a produção de banana resistente a doenças.

Uma carta de intenções para a construção de um acordo de cooperação técnica foi assinada por representantes da Embrapa, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca do Equador e da Associação de Exportadores de Banana do Equador no dia 5 de março, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

O objetivo principal da iniciativa é o melhoramento genético preventivo de bananeiras do subgrupo Cavendish, conhecidas como Nanica, que são resistentes à raça 4 Tropical (Foc R4T), a forma mais severa da murcha de Fusarium, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense.

O ministro de Agricultura, Pecuária e Pesca do Equador, Juan Carlos Vega Melo, expressou otimismo durante a assinatura da carta: “Esperamos que esse problema se converta em uma grande oportunidade para o governo do Equador e para a Embrapa. São mais de 250 mil famílias trabalhando na produção.”

Doença ocorre em 17 países

A Foc R4T é reconhecida como a doença mais devastadora da cultura da banana globalmente, já tendo sido identificada em 17 países da Ásia, África e Oceania.

No Brasil, a doença ainda não foi detectada, mas está presente na Colômbia desde 2019, no Peru desde 2020 e na Venezuela desde 2023, países que fazem fronteira com o Brasil. Em 2025, a praga foi identificada no Equador, aumentando a preocupação com a bananicultura nacional.

A praga é monitorada pelo sistema de vigilância oficial, que inclui o Programa Nacional de Prevenção e Vigilância de Pragas Quarentenárias Ausentes.

O fungo se propaga através do solo contaminado por meio de sapatos, ferramentas, mudas de bananeira aparentemente saudáveis, e plantas ornamentais que atuam como hospedeiras.

Panorama da banana no Brasil e no Equador

Atualmente, o Equador é o maior exportador de bananas do mundo, com embarques que somam quase 4 milhões de toneladas da fruta em 2023, conforme dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. O país destina 98% de sua produção ao comércio internacional, alcançando 75 países.

Em contraste, o Brasil produziu 7 milhões de toneladas em 2024, todas destinadas ao consumo interno, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

A validação de genótipos resistentes em condições reais de pressão da doença é crucial, especialmente para os bananicultores brasileiros que cultivam variedades do grupo Cavendish.

O pesquisador da Embrapa, Edson Perito Amorim, ressalta que “o desenvolvimento de variedades resistentes à Foc R4T e seu plantio em países onde a praga já está presente é uma questão de segurança nacional para o Brasil.”

Ele destaca que existem apenas duas organizações no mundo que pesquisam o melhoramento do Cavendish, e a Embrapa é uma delas.

Embora o grupo Cavendish seja amplamente plantado no Equador, no Brasil a produção é majoritariamente composta por outras variedades, como a Prata e a Maçã. A expectativa é que as novas pesquisas ajudem a aumentar a resistência das culturas brasileiras.

Parcerias internacionais

A Embrapa enfatiza a importância de colaborações com instituições internacionais para o avanço das pesquisas em busca de variedades resistentes à doença.

Graças às pesquisas com a Corporação Colombiana de Pesquisa Agropecuária, o Brasil confirmou que duas variedades desenvolvidas pela Embrapa, a BRS Princesa e a BRS Platina, são naturalmente resistentes à Foc R4T. Isso coloca o Brasil como o único país da América preparado para enfrentar a praga.

Colaborações com a Corporação Bananeira Nacional, da Costa Rica, também estão em andamento, focando no grupo Cavendish.

A presidente da Embrapa, Silvia

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