Aposentadoria no Japão se torna uma realidade distante com aumento de trabalhadores acima dos 70 anos

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Japão enfrenta desafios demográficos com adaptações no mercado de trabalho para idosos.

A situação demográfica do Japão está exigindo que o governo e as empresas modifiquem suas regulamentações para equilibrar uma força de trabalho envelhecida e uma grave escassez de mão de obra jovem. As taxas de natalidade caíram drasticamente, atingindo um mínimo histórico de 1,15 filhos por mulher.

Uma das principais medidas adotadas pelas empresas é a extensão da idade de aposentadoria compulsória. Essa mudança permite que funcionários mais velhos continuem suas atividades profissionais após os 70 anos, caso desejem.

9,14 milhões de funcionários idosos

Dados recentes mostram que mais de 5,4 milhões de trabalhadores com 70 anos ou mais estão empregados no Japão. Quando consideramos pessoas com mais de 65 anos, o número chega a 9,14 milhões, representando cerca de 25,3% dessa faixa etária da população. A taxa de emprego para aqueles acima de 65 anos é de 25,2%, superando significativamente os índices de outros países, como Estados Unidos, Reino Unido e França.

Após a reforma trabalhista que elevou a idade de aposentadoria de 60 para 65 anos, 99,9% das empresas japonesas implementaram medidas para garantir a continuidade do emprego para funcionários nessa faixa etária. Além disso, 29,7% delas já adotaram políticas que asseguram o emprego até os 70 anos ou mais.

No Japão, 70 é o novo 60

Uma pesquisa recente revelou que 80% dos trabalhadores próximos da aposentadoria desejam continuar trabalhando além da idade legal. Dentre eles, 70% preferem permanecer em seus empregos atuais.

Esse desejo de prolongar a vida profissional é impulsionado pela alta expectativa de vida no Japão, que é de 87,14 anos para mulheres e 81,09 anos para homens. Essa longevidade permite que muitos trabalhadores atinjam a aposentadoria com boa saúde, possibilitando que adaptem seus horários de trabalho às suas capacidades físicas.

Atsushi Morishita, um empresário de 78 anos, enfatiza que pessoas na faixa dos 60 anos são consideradas jovens e que, em tempos de escassez de mão de obra, é crucial valorizar a experiência dos trabalhadores mais velhos.

Aposentadoria no Japão

Outro fator que leva os aposentados a adiar sua aposentadoria é o valor das pensões. Com o envelhecimento da população, o orçamento previdenciário enfrenta pressão, pois há mais beneficiários do que contribuintes jovens.

Os aposentados podem receber até 831,7 mil ienes anualmente do Sistema Público de Pensões, além de possíveis contribuições de fundos privados. Estima-se que isso resulte em uma pensão pública média mensal de 40 mil ienes, valor insuficiente para um sustento adequado.

Em junho de 2025, uma reforma no sistema previdenciário foi aprovada, trazendo mudanças que beneficiam aqueles que continuam trabalhando até a aposentadoria. A última alteração, que entrou em vigor em abril de 2026, aumentou o limite de renda para que aposentados possam receber seus benefícios integrais, permitindo que cerca de 200 mil aposentados ativos continuem a receber suas pensões mesmo trabalhando.

Empresas adaptadas para a terceira idade

Funcionários com mais de 65 anos representam cerca de 15% da força de trabalho nas empresas japonesas, frequentemente ocupando turnos diurnos menos exigentes.

Kazushige Mori, presidente de uma empresa que administra casas de repouso, destaca a importância de gerenciar as jornadas de trabalho de forma a acomodar uma força de trabalho diversificada, incluindo muitos funcionários acima de 70 anos.

Aqueles que trabalham 20 horas ou mais por semana são considerados funcionários em tempo integral, recebendo salários mais elevados do que os trabalhadores em tempo parcial. Kimino Osada, presidente de uma empresa, observa que os profissionais mais experientes são a base sólida da organização, em contraste com a alta rotatividade entre os funcionários mais jovens.

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