Associação Nacional de Jornais se une a coalizão internacional em defesa da proteção jornalística
Sete associações de imprensa das Américas se unem para proteger direitos de uso de conteúdos jornalísticos frente à inteligência artificial.
Sete associações de imprensa das Américas, incluindo a Associação Nacional de Jornais (ANJ), aderiram à coalizão internacional Standards for Publisher Usage Rights (Spur). Esta iniciativa foi criada para salvaguardar os direitos dos produtores de conteúdo jornalístico diante do uso de suas publicações por sistemas de inteligência artificial.
A adesão foi anunciada em Londres e marca a maior expansão da coalizão desde sua criação em fevereiro de 2026. Além da ANJ, fazem parte da Spur a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), a Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa), a Associação Colombiana de Meios de Informação (AMI), a Associação Nacional da Imprensa (ANP) do Chile, a Alianza de Medios MX do México e o Conselho da Imprensa Peruana (CPP).
A participação dessas entidades visa fortalecer a articulação internacional em prol da sustentabilidade econômica do jornalismo na região, especialmente frente aos desafios trazidos pela crescente presença da inteligência artificial.
A iniciativa busca reforçar a colaboração entre as empresas jornalísticas para proteger os direitos autorais, monitorar o uso de conteúdos por sistemas de IA e garantir uma remuneração justa por esse uso. Além disso, a coalizão pretende estabelecer diretrizes comuns para a relação entre os produtores de informação e as plataformas tecnológicas.
As sete associações formam uma vasta rede que representa o jornalismo nas Américas, abrangendo milhares de veículos de comunicação, empresas jornalísticas e marcas editoriais. Essa abrangência é ampliada ao considerar os diversos jornais, portais e produtos digitais mantidos pelos grupos associados.
A ANJ conta com mais de 100 empresas associadas no Brasil, incluindo veículos de renome como Correio Braziliense, O Globo, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, entre outros, muitos dos quais praticam um jornalismo hiperlocal e regional.
Coalizão reúne mais de 80 integrantes
A expansão da Spur inclui 44 novos membros, entre associações, empresas jornalísticas e outras organizações. Com essas novas adesões, a coalizão ultrapassa 80 integrantes, distribuídos por mais de 20 países. Novos participantes notáveis incluem The New York Times, Agence France-Presse (AFP), The Atlantic, The Observer e The Economist. A Spur foi inicialmente fundada por grandes nomes como BBC, Financial Times e Associated Press.
Regras para o uso de conteúdos jornalísticos por IA
A Spur está empenhada em estabelecer um mercado justo para o uso de conteúdos jornalísticos por sistemas de inteligência artificial. A coalizão busca desenvolver padrões técnicos e comerciais que garantam transparência, respeito aos direitos autorais e remuneração adequada aos produtores de informação.
O objetivo é criar regras claras para a interação entre empresas jornalísticas e plataformas tecnológicas, incluindo mecanismos de licenciamento para o uso de conteúdos protegidos por direitos autorais. A coalizão também está desenvolvendo ferramentas que permitem aos veículos monitorar o uso de suas publicações por modelos de IA, identificar utilizações não autorizadas e coletar evidências de possíveis infrações.
Uma das iniciativas é o ‘Content Telemetry Standard’, um padrão técnico que visa registrar como agentes e desenvolvedores de modelos de inteligência artificial utilizam conteúdos jornalísticos e informar os titulares dos direitos sobre esse uso. Essa proposta estabelece uma linguagem comum para o registro e compartilhamento dessas informações, facilitando a fiscalização, a negociação de licenças e a remuneração pelo uso dos conteúdos.
Próximas etapas
Com a ampliação dos membros, a Spur iniciou grupos de trabalho com representantes de diferentes setores do mercado para aprimorar o ‘Content Telemetry Standard’ e definir sua aplicação às tecnologias atuais e futuras de inteligência artificial. A coalizão, que opera sem fins lucrativos e é financiada pelos seus membros, busca criar condições técnicas e comerciais que garantam aos titulares de direitos autorais o controle e acompanhamento do uso de seus conteúdos por aplicações de IA generativa.