Aumento da safra de laranja no interior de SP pressiona preços devido à queda no consumo de suco
Safra de laranja em alta no interior de SP enfrenta desafios devido à queda no consumo de suco.
A produção de laranja no interior paulista apresenta um crescimento significativo nesta safra, mas a redução no consumo de suco de laranja tem impactado negativamente os lucros dos produtores. Nos últimos três anos, os preços elevados resultaram em uma diminuição de 30% a 40% na demanda por suco, conforme análise de especialistas do setor.
A combinação de preços baixos da fruta no mercado interno e a queda no preço do suco no mercado externo tem gerado uma diminuição na procura pelos citros. Mesmo com uma safra tardia, produtores como Lucas Ferrantes Fonseca, de Olímpia, esperam colher 30 mil caixas de laranja-pêra-rio, o que representa o dobro da colheita do ano anterior.
No entanto, apesar do aumento na produção, Lucas relata que, após dois meses de colheita, não conseguiu vender nem metade de sua produção. A falta de demanda e os preços de venda que não cobrem os custos de produção são preocupantes: a caixa que custa R$ 35 para ser produzida é vendida por apenas R$ 22.
De acordo com dados do setor, as produções em São Paulo e no Triângulo Mineiro enfrentaram uma redução de 12,9%, totalizando 38 milhões de caixas a menos. Esse declínio é atribuído às altas temperaturas durante o período de estiagem e à propagação da doença greening nas plantações.
No município de Guaraci, o produtor José Humberto Gazoni está sendo forçado a substituir parte dos 12 mil pés de laranja-valência por mamoeiros para minimizar os prejuízos. Muitas frutas, embora saudáveis, não estão sendo compradas, resultando em um desperdício significativo.
O preço da caixa de 40 quilos, que já alcançou R$ 70, agora é vendido por apenas R$ 33. José observa que, apesar do aumento no preço do suco, o consumo caiu drasticamente, deixando os produtores em uma situação difícil, pois ainda dependem da indústria para escoar suas vendas.
Com 55 anos de experiência no mercado, José mantém a esperança de um futuro melhor e planeja continuar sua produção, mesmo diante dos desafios atuais.