Produtores da Nova Alta Paulista expressam preocupação com baixo lucro na safra de urucum
Produtores da Nova Alta Paulista enfrentam dificuldades financeiras com a safra de urucum.
A safra de urucum de 2026 tem gerado grande apreensão entre os agricultores da Nova Alta Paulista, a maior região produtora da semente no estado de São Paulo. Embora o Brasil represente cerca de 57% da produção global, os preços atuais no mercado não têm garantido uma margem de lucro satisfatória para os produtores locais.
Em Osvaldo Cruz (SP), a produtora Maria Aparecida Fafreto está lidando com sua primeira safra de mil pés de urucum-anão. Apesar das condições climáticas favoráveis e dos cuidados adequados, a irregularidade da flora tem elevado os custos de produção.
Durante a colheita, Maria precisa retornar várias vezes à mesma área para coletar frutos ainda em flores. Esse processo exige agilidade para evitar que os cachos abertos percam qualidade.
Com preços de venda variando entre R$ 12 e R$ 13 por quilo, a margem de lucro está aquém do esperado. Mesmo assim, Maria planeja aumentar sua produção, cultivando mais mil pés de urucum.
Em Junqueirópolis, o produtor Marcos Everaldo Altrão observou uma queda de 25% na safra em comparação ao ano anterior. Dos 30 mil pés cultivados, conseguiu colher apenas 15 toneladas. Ele atribui essa redução ao clima, com a falta de chuvas durante o plantio e o excesso durante a colheita, que comprometeram a qualidade dos grãos.
Segundo Marcos, a indústria não aceita sementes com umidade superior a 12%. Para reduzir custos, ele optou por herbicidas para o controle de ervas daninhas, em vez de realizar a capina manual.
De acordo com um engenheiro agrônomo, a alta oferta da safra não tem sido acompanhada pela demanda. Contudo, a indústria alimentícia está investindo em corantes naturais, o que pode impulsionar o mercado de urucum no futuro.