Aumentos nos custos de combustíveis para companhias aéreas chegam a R$ 5,2 bilhões devido à guerra

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Companhias aéreas enfrentam aumento significativo nos custos com QAV em 2026.

As três principais companhias aéreas do Brasil enfrentam um aumento de R$ 5,2 bilhões em gastos com querosene de aviação (QAV) para 2026, devido à alta nos preços do petróleo no mercado internacional.

Esse aumento foi impulsionado pelo reajuste de 1,9% no preço do combustível, anunciado pela Petrobras, que resultou em uma alta acumulada de 49% desde fevereiro. Essa situação reflete uma pressão crescente sobre as finanças das empresas aéreas.

A Abear, que representa as companhias Latam, Azul e Gol, destacou que o QAV agora representa 39% dos custos operacionais das aéreas, um aumento em relação aos 32% registrados antes do conflito no cenário internacional.

Em maio, o preço do combustível dobrou em comparação ao período anterior à guerra, resultando em um impacto financeiro de R$ 1,6 bilhão apenas naquele mês. Essa situação levou as empresas a tomarem medidas drásticas, como o cancelamento de até 93 voos diários entre abril e maio, além da redução da oferta de assentos.

Para mitigar os efeitos da alta, o governo incluiu o QAV em um planejamento de subvenções, garantindo isenção de impostos federais sobre o combustível. No entanto, essa desoneração, que foi prorrogada até julho, não foi renovada, deixando as companhias em uma situação delicada.

Durante uma divulgação de resultados, executivos da Latam afirmaram que as medidas governamentais não foram suficientes para conter os custos. O CEO da empresa, Jerome Cadier, ressaltou que as regras de precificação do QAV não foram ajustadas durante a alta dos preços do petróleo, ao contrário do que ocorreu com outros combustíveis.

Ricardo Bottas, CFO da Latam, também comentou que, embora as medidas tenham sido positivas, seu impacto na redução dos custos foi insignificante.

Revisões de preços pela Petrobras

A Petrobras realiza revisões mensais nos preços do QAV, que são definidos com base nas cotações internacionais do petróleo, custos de importação e taxa de câmbio.

No auge do conflito, em abril, a estatal elevou o preço do QAV em mais de 56%, seguido por um aumento adicional de 18% em maio. Após esses aumentos, houve duas reduções, de 14,2% em junho e 14,4% em julho.

Em agosto, a Petrobras anunciou um novo aumento de 1,9% no preço do QAV, destacando que o combustível é comercializado por meio de distribuidoras responsáveis pelo transporte e venda para as companhias aéreas e consumidores finais nos aeroportos.

A Petrobras afirmou que o mercado brasileiro é aberto à concorrência, não havendo restrições para que outras empresas atuem como produtoras ou importadoras de QAV.

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