Avanços da IA física no mundo contrastam com lentidão da pesquisa no Brasil

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Adoção de inteligência artificial física no Brasil cresce com a demanda por automação.

O descompasso entre a oferta de mão de obra e a demanda operacional está impulsionando a adoção da inteligência artificial física no Brasil. Essa tecnologia permite que sistemas automatizados percebam, decidam e ajam no mundo real, utilizando robôs, sensores e veículos autônomos.

De acordo com um relatório, 79% das organizações estão envolvidas com a inteligência artificial física, e 65% esperam aumentar seu uso nos próximos cinco anos. Além disso, 76% dos executivos acreditam que essa tecnologia trará ganhos diretos de produtividade.

O professor Anderson Rocha, do laboratório Recod.ai, explica que o conceito de IA corporificada vai além de robôs humanoides. Ele menciona que veículos autônomos funcionam como computadores sobre rodas, coletando dados e assistindo na direção. A programação para o mundo físico é mais complexa devido à variedade de dados que devem ser processados em tempo real.

Rocha destaca que dominar essa camada de dados é crucial para que a tecnologia avance. Ele argumenta que uma IA que aprende com a experiência pode compreender conceitos como a gravidade, ao contrário de sistemas que apenas reproduzem informações sem entendimento.

Adrian Covi, da ABB Robotics, complementa que a inteligência artificial e a robótica precisam se unir para alcançar resultados eficazes. Ele cita o Item Picker, que automatiza a separação de pedidos em centros de distribuição, como um exemplo de como a IA pode otimizar processos anteriormente inviáveis.

Cenário da IA física no Brasil: crescimento constante, mas ainda distante da liderança

O Brasil apresenta uma baixa densidade de robôs por trabalhador, com apenas 19 robôs para cada dez mil trabalhadores. Em comparação, a Coreia do Sul lidera com mais de mil robôs por dez mil trabalhadores. Apesar desse cenário, o Brasil teve um aumento significativo nos últimos anos, passando de 14 robôs por dez mil trabalhadores.

Esse crescimento é visto como uma oportunidade de desenvolvimento, especialmente considerando a histórica disponibilidade de mão de obra barata no país. Edvaldo Santos, da Ericsson, ressalta que a infraestrutura de pesquisa e desenvolvimento no Brasil está avançando, com colaborações entre empresas e instituições de ensino.

Rocha observa que, apesar de centros de excelência em IA de software, a pesquisa em IA corporificada ainda é limitada no Brasil. No entanto, o agronegócio se destaca, com tecnologias que utilizam IA para otimizar o cultivo e a produção agrícola.

No campo da robótica humanoide, o Brasil enfrenta desafios, como a dependência de robôs importados para pesquisa, o que dificulta o avanço nessa área. Rocha acredita que o Brasil não alcançará em duas décadas o nível de adoção da IA física da China, devido à falta de políticas governamentais efetivas.

Robôs autônomos no varejo: uma nova era de automação

A robótica industrial tradicional já está consolidada no Brasil, mas uma nova geração de robôs autônomos está começando a ser adotada em setores antes não automatizados. Fábio Taborda, da MGTech, destaca que a autonomia proporcionada pela IA está facilitando a implementação de robôs em diversas aplicações.

Esses robôs são projetados para auxiliar, e não substituir, os trabalhadores, permitindo que as equipes se concentrem em tarefas mais estratégicas. A tecnologia proporciona eficiência e otimização, como demonstrado por robôs de limpeza e movimentação de carga.

Economia circular e sustentabilidade na robótica

Covi enfatiza a importância da economia circular na robótica industrial. A ABB projeta robôs para ter uma longa vida útil, permitindo que equipamentos antigos sejam reformados e reutilizados, reduzindo significativamente a emissão de CO2 associada à fabricação de novos robôs.

Um exemplo notável é o primeiro robô da ABB no Brasil, que trabalhou por mais de trinta anos antes de ser aposentado e agora está em exposição, ilustrando a durabilidade e a importância da manutenção adequada.

Conectividade e velocidade na IA física

A conectividade é essencial para a eficácia da IA física. Santos argumenta que a latência pode ser crítica, especialmente em aplicações que exigem respostas rápidas, como em veículos autônomos. Projetos que utilizam 5G estão sendo desenvolvidos para melhorar a capacidade de resposta dos robôs.

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