Hitachi Rail projeta impacto da IA no transporte de cargas e na gestão até 2050
Inteligência artificial promete revolucionar o setor de transporte até 2050.
A inteligência artificial (IA) está prestes a transformar o setor de transporte, especialmente em áreas que não envolvem o transporte de passageiros. A manutenção preditiva, o monitoramento de ativos, a gestão de tráfego, o planejamento de serviços e a otimização energética são algumas das áreas que devem apresentar os maiores ganhos na próxima década.
Entretanto, o relatório aponta que a transformação esperada para 2050 enfrenta desafios que vão além da tecnologia. Questões como governança fragmentada, restrições de financiamento e processos de contratação são algumas das barreiras que precisam ser superadas para que essa evolução ocorra.
O estudo, intitulado Mobility Reimagined (Mobilidade Reimaginada), foi elaborado a partir de entrevistas com 36 líderes dos setores de tecnologia e transporte, além de acadêmicos e representantes de autoridades locais e entidades setoriais. A pesquisa foi realizada entre maio e julho de 2026.
Os entrevistados destacam que a mobilidade está se movendo de um sistema organizado por modais isolados para um modelo integrado, onde diferentes meios de transporte se conectam em uma única jornada. Nesse contexto, as ferrovias devem continuar a desempenhar um papel central, devido à sua capacidade de transportar grandes volumes de passageiros e cargas.
IA física e gêmeos digitais
Dentre as tecnologias mais promissoras para a transformação do setor, destacam-se os gêmeos digitais e a IA física. A combinação dessas tecnologias permitirá que operadores modelem, prevejam e otimizem sistemas de transporte em tempo real, passando de uma gestão reativa para uma abordagem de otimização contínua.
A IA física integra inteligência artificial com sensores e sistemas autônomos, permitindo uma interpretação mais precisa das informações e ações no mundo real. Os líderes entrevistados acreditam que essa tecnologia pode potencializar os gêmeos digitais, fornecendo dados operacionais em tempo real e permitindo que os modelos avancem de meras identificações de padrões para ações concretas sobre a infraestrutura.
Contudo, a automação não deve eliminar a supervisão humana. Os especialistas defendem que a presença de operadores humanos é essencial em decisões críticas de segurança e em situações de emergência, além de ser importante para garantir confiança e responsabilização nos processos.
Cronograma de adoção da IA no transporte
O relatório delineia um cronograma de evolução da IA no setor de transporte ao longo das próximas décadas:
- Até 2030: implementação de projetos direcionados e casos de uso, como a manutenção preditiva;
- Entre 2035 e 2040: as capacidades autônomas devem se tornar mais comuns no transporte coletivo;
- Até 2050: sistemas conectados, com a IA no centro da automação, manutenção preditiva e serviços de mobilidade.
Governança e soberania de dados como entraves
Embora o avanço tecnológico seja esperado, o estudo revela que os principais obstáculos à mobilidade de 2050 não estão na tecnologia, mas em questões como restrições de financiamento e regulação. A pressão sobre a infraestrutura e os processos de contratação também são desafios a serem enfrentados.
A soberania de dados se torna cada vez mais relevante à medida que os sistemas de transporte se conectam. Questões sobre o armazenamento de informações, controle dos sistemas digitais e os modelos de IA que processam esses dados são fundamentais nas decisões operacionais, especialmente em um cenário geopolítico incerto.
O relatório destaca ainda a necessidade de fortalecer a resiliência da infraestrutura frente a eventos climáticos extremos e os riscos associados à cibersegurança. A soberania de dados, a segurança digital e a confiança serão fatores cruciais para a adoção das novas tecnologias de mobilidade.