Azeite enfrenta nova ameaça de calor extremo e incêndios na Europa após trégua nos preços
Incêndios florestais na Grécia afetam a produção de azeite e outras culturas agrícolas.
O calor extremo e a seca prolongada têm gerado um impacto significativo na agricultura europeia, especialmente nos olivais do sul do continente.
A combinação de fatores climáticos adversos tem reduzido a produtividade das lavouras, comprometido a qualidade dos frutos e aumentado os custos de produção. Isso pode resultar em novos aumentos nos preços de alimentos, como o azeite de oliva.
Pesquisas climáticas indicam que o número de dias de verão com condições favoráveis à propagação de incêndios dobrou desde 1981. Esse aumento reforça a vulnerabilidade dos olivais e de outras culturas mediterrâneas.
A preocupação é compartilhada por diversas instituições do setor agrícola. Recentemente, observou-se uma redução nos preços do azeite de oliva, atribuída a um excesso de produção na Itália.
Entretanto, as previsões para a produção de azeite no bloco europeu foram revistas, apontando uma queda de 5% no ciclo 2025/26, sendo a Grécia a mais afetada, com uma redução esperada de 18%.
As perspectivas para a próxima safra dependem da ausência de novos eventos climáticos extremos, uma vez que os olivais se mostram cada vez mais vulneráveis.
Recentemente, incêndios florestais na Espanha devastaram pomares, vinhedos e olivais, afetando diversas culturas, incluindo frutas cítricas e hortaliças. A entidade agrícola local alerta que o principal problema não é a redução das exportações, mas sim o aumento dos custos de produção, que devem ser repassados aos consumidores.
A Espanha enfrenta também restrições hídricas, que aumentam o risco de queda prematura das azeitonas. Antes mesmo dos incêndios, a colheita de cereais já havia sido revista para baixo, aumentando a pressão sobre os preços agrícolas.
Como maior produtora mundial de azeite, a Espanha desempenha um papel crucial na formação dos preços globais. O mercado permanece instável após uma recente queda nos preços do azeite, que se seguiu a um período de valores recordes.
As chuvas intensas no início do ano causaram alagamentos em áreas produtoras, reduzindo as previsões de colheita. Agora, a seca extrema e os incêndios voltam a ameaçar a produção.
O impacto das queimadas é particularmente sentido na Grécia, onde muitos produtores relatam perdas significativas. A produtora Anastasia Hatzoglou expressou sua frustração com a destruição de suas oliveiras, que são fundamentais para sua subsistência e tradição familiar.
O déficit hídrico, agravado por ondas de calor e incêndios, tem reduzido a produtividade dos olivais. Além dos danos diretos, os produtores enfrentam prejuízos relacionados à fumaça e à piora da qualidade do ar, que favorecem o surgimento de pragas e doenças.
Esse cenário não é exclusivo da Grécia. Incêndios também têm afetado olivais na Itália e em Portugal, onde o calor prolongado facilita a proliferação de pragas.
Os impactos climáticos vão além dos olivais. A associação francesa Légumes de France estima perdas significativas na produção de hortaliças, com algumas regiões enfrentando quedas de até 50% devido à escassez de água.
O clima extremo também tem afetado vinhedos em regiões tradicionais, onde o amadurecimento acelerado das uvas ameaça reduzir os rendimentos da safra.
O calor intenso resultou em mais de 1.300 mortes apenas na última semana de junho, além de interrupções em serviços públicos e cancelamento de eventos em várias cidades europeias.
Cientistas apontam que eventos climáticos extremos como esses seriam “praticamente impossíveis” sem a influência do aquecimento global, com a Europa aquecendo duas vezes mais rápido que a média global.
Esses fatores consolidam 2026 como um dos verões mais extremos do continente, aumentando a pressão sobre sistemas agrícolas já vulneráveis.