Veto da UE prejudica exportações de carne e mel brasileiros em momento de crescimento no mercado europeu
Exportações brasileiras para a União Europeia apresentam crescimento, mas enfrentam riscos de embargo.
A carne bovina e o mel brasileiros têm conquistado um espaço crescente no mercado europeu, mas essa realidade pode ser alterada com a iminente proibição das exportações desses produtos a partir de 3 de setembro.
As autoridades da União Europeia justificam a medida alegando que o governo brasileiro não realiza uma fiscalização adequada sobre o uso de antimicrobianos na produção de proteína animal. Entretanto, empresários dos setores impactados defendem que a ação é, na verdade, uma medida protecionista.
No primeiro semestre de 2026, as exportações de carne bovina aumentaram 19% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 51,2 mil toneladas enviadas aos países da UE. Esse crescimento é corroborado por dados da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina.
O aumento nas exportações já era uma tendência observada nos anos anteriores, com um crescimento de 7% nas vendas de carne bovina para a UE em 2025, comparado a 2024.
Esse crescimento também se refletiu nas receitas do setor, com um aumento de 18% no valor das vendas de carne bovina para a União Europeia entre 2024 e 2025, passando de US$ 895,7 milhões para US$ 1,06 bilhão.
O mel orgânico brasileiro também tem mostrado um desempenho notável no mercado europeu. Entre janeiro e junho deste ano, as exportações para a UE geraram uma receita de US$ 6,35 milhões, o dobro do registrado no mesmo período de 2025, que foi de US$ 3,18 milhões.
No ano anterior, as vendas de mel para a União Europeia representaram cerca de 5% do total exportado pelo Brasil, enquanto no primeiro semestre deste ano, essa participação subiu para quase 10%.
Mercados substitutos
Para produtos de exportação, é crucial encontrar novos mercados e estabelecer negociações com compradores, o que demanda tempo.
No caso da carne bovina, a União Europeia se destaca como o principal importador de cortes nobres de alto valor agregado, como filé mignon, contrafilé e alcatra, o que a torna líder no preço médio pago pela carne brasileira.
O mercado asiático também tem se tornado um destino importante para as exportações de carne, mas esses países tendem a preferir outros tipos de cortes, como miúdos.
<pAlém disso, para o mel, é improvável que outros mercados consigam absorver todo o volume que seria destinado à União Europeia.
Em 2025, o Brasil ocupou a 7ª posição mundial em volume de exportação de mel e a 8ª em valor, com os principais destinos sendo Estados Unidos, Canadá e Alemanha.
A proibição da UE gera ainda mais preocupação para os setores envolvidos, especialmente devido às tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Apesar de a carne bovina e o mel terem sido isentos, empresários consideram a relação com o mercado norte-americano imprevisível. Até o momento, a Europa era vista como um destino mais seguro para as exportações brasileiras.
