Banco é instalado na praça para uso da comunidade
Reflexões sobre a literatura e a memória na vida de um poeta.
O poeta uruguaio Eduardo Galeano costumava registrar momentos e cenários que se tornaram ícones em sua memória afetiva. Um desses lugares era um banco de pedra na Praça da Alfândega, sempre coberto por folhas amarelas e vermelhas dos plátanos. Era uma época em que escritores e poetas caminhavam pelas ruas e se reuniam nas praças. Em uma dessas ocasiões, encontrei Mário Quintana, que exibia um ar sonhador, como se aguardasse um pôr do sol que nunca chegava.
Com coragem, aproximei-me dele, desejando iniciar uma conversa. O poeta, por sua vez, parecia receptivo e compartilhou suas experiências como tradutor de Marcel Proust na Livraria do Globo, onde dedicou nove anos à tradução de “Em Busca do Tempo Perdido”. Ele descreveu essa tarefa como uma jornada interna, um verdadeiro mergulho em si mesmo, como sugere o personagem do livro.
Para Quintana, explorar os caminhos de Guermantes e Swann era como olhar para um espelho, mas sem conseguir reconhecer a imagem refletida. Essa busca pelo tempo proustiano o remeteu à sua infância em Alegrete, mesmo sem ter experimentado a famosa madeleine mergulhada no chá de uma tia.
A literatura tem o poder de nos ensinar muito, mas não tudo o que almejamos. É essencial que, antes de buscarmos novos horizontes, tenhamos clareza sobre o que realmente desejamos alcançar. Muitas vezes, é necessário cultivar um olhar renovado sobre o que nos cerca.
Como bem disse o poeta: “A vida nunca mostra o valor do que temos. No futuro, o que hoje parece sem valor será um tesouro pelo qual daríamos tudo para ter de volta.”
