Biosseguridade na Suinocultura e a Competição por Mercados no Rio Grande do Sul

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Fórum Estadual de Sanidade Suína discute desafios e estratégias da suinocultura gaúcha

A suinocultura gaúcha se encontra em um momento decisivo em sua busca por competitividade. Em um mundo que exige cada vez mais rigor na biosseguridade e rastreabilidade, as práticas de controle sanitário tornaram-se essenciais para a permanência nos mercados internacionais.

O foco principal do evento foi a 2ª edição do Fórum Estadual de Sanidade Suína, realizado durante a Fenasoja em Santa Rosa. O fórum reuniu cerca de 300 participantes, tanto presencialmente quanto online, estabelecendo-se como uma plataforma importante para o setor no estado.

O encontro foi promovido pelo Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, em colaboração com o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal. O fórum destacou a segurança sanitária como um componente crucial para o comércio no agronegócio.

Durante a abertura, o secretário da Agricultura, Márcio Madalena, enfatizou a importância da região como um polo produtor de proteína animal e exportação. Ele ressaltou que a discussão sobre biosseguridade deve se estender por toda a cadeia produtiva, devido à sua ligação direta com o acesso a mercados e a estabilidade econômica do setor.

Essa perspectiva foi apoiada pelo setor industrial. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul, José Roberto Fagundes Goulart, afirmou que, no comércio internacional, a confiança é a primeira exigência, não o preço. Ele destacou que a credibilidade sanitária tornou-se um ativo indispensável nas transações comerciais, especialmente em um cenário global repleto de riscos e crises sanitárias.

O Brasil desempenha um papel importante no comércio mundial de carne suína, com crescimento nas exportações e uma dependência significativa do mercado interno, que consome a maior parte da produção. Esse equilíbrio gera um duplo desafio para o setor: garantir o abastecimento interno enquanto mantém padrões sanitários que atendam os requisitos mais rigorosos de mercados na Ásia e na América Latina.

Nesse contexto, a palestra do consultor Werner Meinke abordou a biosseguridade como um sistema contínuo que envolve prevenção, controle de acesso e manejo sanitário nas propriedades. Essa abordagem enfatiza que a biosseguridade deve ser tratada como parte da gestão estratégica, e não apenas como um conjunto de recomendações técnicas.

O fórum também incluiu representantes da indústria e do setor produtivo, destacando a importância da colaboração entre produtores, indústrias e serviços veterinários como um fator chave para a mitigação de riscos sanitários.

O debate ocorreu em um ambiente global mais restritivo, com doenças transfronteiriças aumentando as exigências dos países importadores, que buscam garantir não apenas a qualidade dos produtos, mas também a robustez dos sistemas de controle ao longo de toda a cadeia produtiva.

O Rio Grande do Sul ocupa uma posição estratégica nesse cenário. Regiões como Santa Rosa, que são grandes produtoras de suínos, têm uma conexão direta com as cadeias exportadoras, o que aumenta a pressão sobre os sistemas locais de vigilância sanitária. Qualquer falha pode comprometer contratos internacionais e fluxos comerciais estabelecidos.

O fórum foi encerrado pelo diretor do DDA/Seapi, Fernando Groff, que reiterou a necessidade de uma integração eficaz entre políticas públicas, setor produtivo e indústria. A mensagem principal foi clara: a biosseguridade não é mais um diferencial competitivo, mas um requisito essencial para o acesso aos mercados.

Assim, o que está em jogo não é apenas a sanidade animal, mas a habilidade do Brasil e do Rio Grande do Sul de manter seu lugar no mercado global de proteína. Em um cenário onde a confiança é mais valiosa que o preço, a gestão sanitária se torna uma variável econômica crucial.

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