Bruno Funchal afirma que discussão sobre ajuste fiscal não atrai votos na eleição

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A discussão sobre ajustes nas contas públicas deve ser evitada na campanha presidencial de 2027.

O ajuste das contas públicas será um tema crucial para quem assumir a Presidência em 2027, mas provavelmente não será amplamente debatido durante a campanha. Essa é a análise de Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset e ex-secretário do Tesouro Nacional.

Em um painel promovido pela TAG Investimentos, Funchal destacou que questões relacionadas a mudanças nas regras de crescimento das despesas obrigatórias do governo federal não atraem o interesse dos eleitores. “A gente não vai ver essa discussão na eleição. Isso não ganha voto”, afirmou.

O executivo também observou que o orçamento federal apresenta pouca flexibilidade para que um novo governo possa alterar a alocação de recursos entre diferentes áreas ou controlar o aumento dos gastos. Ele sugeriu que um pacote fiscal mínimo para 2027 poderia incluir revisões nos critérios de cálculo dos pisos de saúde e educação, além de despesas relacionadas ao Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Funchal enfatizou que essas ideias estão sendo discutidas como possibilidades, e não como propostas definitivas de candidatos. Ele considerou que o cenário fiscal para o próximo mandato é incerto, afirmando que “está mais nebuloso” em comparação com a eleição de 2022.

Salário mínimo fora da conversa

A análise de Funchal também abordou a regra de reajuste do salário mínimo, que impacta diretamente os benefícios previdenciários e assistenciais, influenciando as despesas federais. O projeto de Orçamento de 2027 prevê um salário mínimo de R$ 1.741, com um aumento real estimado de 2,3%.

Apesar da relevância desse tema, o executivo não percebe uma disposição para incluir a revisão da regra do salário mínimo nas discussões eleitorais. “Ninguém fala do salário mínimo, mesmo a portas fechadas”, observou.

Funchal ressaltou que qualquer ajuste fiscal dependerá da liderança do presidente eleito. “Quem faz ajuste fiscal? É o chefe do Executivo, presidente da República, e os governos dos Estados. Não é o ministro, não é o secretário”, declarou. Ele acredita que cabe ao futuro governo apresentar as medidas necessárias à população e buscar sua aprovação no Congresso.

A discussão sobre ajustes fiscais ocorre em meio à tramitação do projeto de Orçamento de 2027, que prevê um superávit primário de R$ 18,6 bilhões, considerando todas as receitas e despesas primárias. O texto enviado pelo governo destina R$ 272,2 bilhões para a saúde e R$ 141,2 bilhões para a educação.

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