Campo magnético da Terra colapsou há 2.200 anos, revelam novas descobertas em argila de ânforas de vinho

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Pesquisadores revelam novas informações sobre o campo magnético da Terra a partir de ânforas antigas.

Uma equipe de pesquisadores de instituições renomadas conseguiu extrair dados geomagnéticos de alças de ânforas de vinho encontradas na ilha de Rodes e em jarras de Jerusalém. Esses artefatos foram descobertos em sítios arqueológicos significativos, como a Cidade de Davi e o Bairro Judeu.

As alças de ânforas e as jarras são notáveis por apresentarem os nomes do oleiro e do supervisor da produção, permitindo uma datagem precisa. A análise desses objetos revelou que, entre 206 e 156-155 a.C., o campo magnético da Terra perdeu mais de 30% de sua intensidade, um dado que desafia as previsões atuais.

A explicação científica

Durante a queima da argila em altas temperaturas, os minerais de ferro presentes nela se alinham ao campo magnético da época. Ao esfriar, esse alinhamento se mantém, a menos que a argila seja aquecida novamente a temperaturas elevadas. Em condições controladas, os pesquisadores podem recuperar o sinal magnético e medir a intensidade do campo magnético da época de produção, um processo chamado análise de arqueointensidade.

As descobertas indicam que o campo magnético da Terra enfraqueceu de maneira mais rápida do que os modelos anteriores sugeriam. Além disso, o magnetismo pode servir como uma alternativa à datação por radiocarbono, oferecendo uma precisão que nem sempre é alcançada por métodos tradicionais.

As alças analisadas pertencem a ânforas produzidas na ilha de Rodes entre os séculos III e I a.C. Durante o período helenístico, essas ânforas eram amplamente utilizadas para o transporte de vinho e azeite pelo Mediterrâneo oriental. O costume de gravar os nomes dos oleiros e supervisores nas ânforas transforma esses artefatos em ferramentas cronológicas de grande precisão, permitindo uma datagem com margem de erro inferior a um ano.

Por tabela

Essa pesquisa também tem implicações para a fortaleza de Acra, construída pelo rei selêucida Antíoco IV por volta de 167 a.C. A localização exata da fortaleza é um tema debatido na arqueologia de Jerusalém. Em escavações anteriores, foram encontrados vestígios de uma rampa defensiva que poderiam estar associados à Acra.

No entanto, um dos vasos encontrado nessa estrutura pertence a um tipo de cerâmica que surgiu após 130 a.C., o que levanta questões sobre a associação da rampa com a fortaleza original. Se a rampa pertencer à Acra original, o vaso encontrado deveria ser anterior a essa data, mas a intensidade magnética indica uma fabricação posterior.

O estudo sugere que a jarra encontrada sob a rampa defensiva é recente demais para ser vinculada à construção original da fortaleza. Contudo, isso não resolve a questão, pois a rampa pode ter pertencido a uma fase de reforma posterior ou a jarra pode ter sido colocada ali em um momento diferente.

Pesquisas anteriores já indicavam uma diminuição na intensidade do campo magnético entre 220 e 160 a.C., e este estudo reforça essa teoria com precisão sem precedentes. Entretanto, a amostra de 24 recipientes é insuficiente para estabelecer uma curva regional confiável da variação do campo magnético, sendo necessária a coleta de mais amostras de outros sítios arqueológicos.

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