CEO da BuildBox afirma que IA substituirá Microsoft Office nas empresas

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Especialistas debatem transformação digital no IT Forum Na Mata

No segundo dia do IT Forum Na Mata, realizado no Distrito Itaqui, especialistas da área de TI discutiram a centralização e descentralização do controle da transformação digital nas empresas. O painel “Centralizar ou descentralizar?” destacou a importância de as organizações definirem claramente suas intenções em relação à tecnologia antes de tomar decisões sobre sua governança.

Henrique da Mota, CTO e cofundador da BuildBox, enfatizou que o verdadeiro desafio das empresas não está em como implementar a tecnologia, mas em decidir o que realmente precisam fazer. Ele ressaltou que a escolha do caminho a seguir é crucial para o sucesso da transformação digital.

Além disso, a discussão sobre governança muitas vezes parte de premissas erradas, segundo Da Mota. Ele alertou que a busca por valor pode levar a investimentos inadequados, e que muitas vezes, o retorno pode vir da valorização de ativos já existentes. A compreensão clara dos problemas a serem resolvidos é fundamental.

Fragmentação de dados e falta de planejamento

Renato Mendonça, gerente de TI da Cury, destacou um risco da adoção acelerada de inteligência artificial: a possibilidade de aumentar a fragmentação de dados. Ele afirmou que a IA pode apenas transferir a desorganização das planilhas para bancos de dados, sem resolver o problema subjacente.

Mendonça também apontou que a maturidade em governança de dados ainda é insuficiente nas empresas. Ele observou que, embora os profissionais de negócios compreendam as soluções tecnológicas, muitos não têm clareza sobre a importância da governança de dados.

Rafael Diniz, head de transformação digital da Informa Markets, mencionou a dificuldade das empresas em planejar a longo prazo. Ele observou que a maioria das organizações se concentra em resultados imediatos, em vez de adotar uma visão estratégica que permita decisões mais estruturais e sustentáveis.

“A IA vai matar o Office”

Daniel Bragion, CEO e cofundador da BuildBox, comparou o impacto da inteligência artificial ao que o pacote Office trouxe para o ambiente corporativo, afirmando que a IA tem o potencial de substituir muitas funções tradicionais. Ele destacou que as soluções de IA podem resolver problemas que antes exigiam o uso de planilhas.

Para exemplificar a velocidade dessa transformação, Boris Cherny, head do Claude Code na Anthropic, compartilhou sua experiência de transição de prompts diretos para loops automatizados, evidenciando a possibilidade de automatização total de tarefas operacionais.

Os executivos também discutiram a resistência à adoção de novas tecnologias, especialmente entre os desenvolvedores. Convencer os profissionais de que trabalhar com IA é mais uma função de revisão do que a necessidade de codificar linha a linha é um desafio significativo.

Por fim, o painel abordou o ritmo mais lento da adoção tecnológica no Brasil em comparação a outros mercados. Enquanto algumas empresas ainda estão em processo de migração de planilhas para sistemas, o mercado já está discutindo conceitos avançados como vibe coding.

A tendência, segundo os executivos, é a transição para uma nova era de colaboradores individuais, onde equipes inteiras cedem espaço a profissionais que resolvem problemas de maneira autônoma, apoiados por ferramentas de inteligência artificial.

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