China avança em suas ambições de inteligência artificial durante diálogos entre Trump e Xi
A China avança na construção de infraestrutura para inteligência artificial em Ulanqab.
A região de Ulanqab, conhecida por suas estepes e vulcões, se transforma em um polo digital emergente.
Tradicionalmente chamada de “capital da batata” da China, a área agora abriga diversos centros de dados, em um momento crucial em que líderes globais discutem a segurança da inteligência artificial (IA).
Centenas de trabalhadores, equipados com capacetes amarelos, estão envolvidos na construção desses centros. A movimentação de guindastes e a atividade frenética no local são evidências do rápido progresso na infraestrutura necessária para suportar a nova era digital.
Um trabalhador local expressou humor sobre a velocidade da construção, referindo-se à “velocidade chinesa” e destacando a dedicação do país em desenvolver sua infraestrutura.
Os engenheiros envolvidos no projeto confirmam que a construção está em sua segunda fase, com muitas outras programadas para o futuro.
A inteligência artificial é um componente central na competitividade entre a China e os Estados Unidos, e a capacidade computacional dos data centers de Ulanqab é vista como fundamental para essa disputa.
Além de infraestrutura, a China está investindo na formação de talentos na área de IA. Jovens engenheiros e pesquisadores estão cada vez mais atraídos pelas oportunidades que o país oferece, especialmente em um contexto de tensões com os EUA e restrições à imigração.
Com a diminuição do número de estudantes e pesquisadores se mudando para os Estados Unidos, muitos estão retornando à China, onde as oportunidades na área de tecnologia estão em expansão.
“Eu quis levar parte do trabalho de IA que fazia no laboratório e aplicá-lo à saúde e medicina humana”, relata um engenheiro recrutado por um programa de prestígio.
A expansão das capacidades de IA na China é uma das razões pelas quais Washington está comprometido em manter seu desenvolvimento na área, mesmo diante de preocupações sobre os riscos associados ao rápido avanço tecnológico.
“Quem vencer a IA, vence”, afirmou um líder político, sublinhando a importância da tecnologia para a competitividade nacional.
Essa declaração pode não ser bem recebida por líderes chineses, especialmente com a retórica de que os temores dos EUA são parte de uma estratégia para conter o crescimento da China.
A China também está promovendo um modelo alternativo de desenvolvimento em IA, que contrasta com as abordagens de empresas americanas que mantêm suas inovações em segredo.
Esse modelo tem permitido que empresas chinesas de IA avancem rapidamente, mesmo diante da escassez de chips avançados, um dos maiores desafios do país.
Além disso, Pequim busca uma participação maior na definição de regras globais para a IA, com apelos frequentes por regulamentação internacional.
A cúpula na Casa Branca, que discute segurança em IA, é vista como uma oportunidade significativa para possíveis colaborações na regulamentação da tecnologia.
Entretanto, a realidade em Ulanqab, onde as ambições de IA da China estão se concretizando, sugere que a cooperação pode ser um desafio.
A construção de centros de dados para empresas como Huawei e ByteDance está em andamento em regiões menos povoadas, onde a energia renovável é abundante.
A China já instalou grandes capacidades de energia renovável nessas áreas, favorecendo a instalação de data centers.
Apesar do avanço, existem preocupações relacionadas à sustentabilidade. A meta da China é que a maioria de seus centros de dados funcione com energia verde até 2030, mas a dependência de carvão ainda é uma realidade.
A escassez de água também é um problema nas regiões áridas, onde a relocação de comunidades tem gerado controvérsias sobre compensação e direitos dos moradores.
“Estes big data não têm absolutamente nada a ver com as pessoas comuns”, desabafa um morador, expressando descontentamento com a falta de benefícios diretos.
Embora alguns moradores tenham encontrado empregos nos novos centros, muitos ainda se sentem inseguros quanto ao futuro de suas terras e meios de subsistência.
Por outro lado, há aqueles que veem as mudanças como positivas. Um agricultor local, otimista sobre o desenvolvimento do país, destaca que seus filhos conseguiram empregos nas novas instalações.
“A China, agora, está na vanguarda do mundo”, afirma ele, refletindo a mudança de percepção em relação ao progresso do país