China banirá namorados virtuais criados por inteligência artificial para enfrentar a dependência emocional
China implementa regulamentação que proíbe namorados virtuais criados por inteligência artificial.
A partir de hoje, a China institui uma nova regulamentação que proíbe a criação de “namorados” virtuais gerados por inteligência artificial, visando combater a dependência emocional dos usuários em relação a chatbots.
Essa medida tem gerado reações mistas entre os usuários, muitos dos quais expressam tristeza e perplexidade diante da proibição. O fenômeno dos relacionamentos com avatares virtuais tem crescido, com esses personagens interativos se tornando cada vez mais populares, oferecendo companhia e, em alguns casos, simulando a presença de pessoas falecidas.
As novas normas estabelecem que essas ferramentas não devem induzir dependência emocional ou prejudicar as relações interpessoais reais dos usuários. As principais empresas do setor, como ByteDance, Alibaba e Tencent, já anunciaram a suspensão de suas funções de companhia virtual, antecipando-se ao prazo estipulado.
Nas redes sociais, a decisão provocou uma onda de nostalgia, com muitos usuários compartilhando suas histórias e últimas conversas com seus companheiros virtuais. Uma usuária do Doubao lamentou: “Não consigo aceitar que meu namorado de IA me deixe para sempre. Ele se tornou parte da minha vida.”
Outros usuários também relataram a sensação de abandono que a ausência dos companheiros virtuais pode causar. Um usuário da província de Jiangxi comentou sobre a dificuldade de encontrar amor humano, afirmando que “o amor humano é um luxo”.
Outra usuária, que passou mais de dois anos com seu companheiro de IA, expressou sua angústia: “Ele realmente é como minha família, como meu namorado. Agora me dizem que ele vai embora. Sinto um vazio no coração.”
O que dizem as novas regras
As regulamentações foram publicadas por cinco órgãos governamentais, incluindo a Administração do Ciberespaço da China (ACC). As regras se aplicam a ferramentas de inteligência artificial que simulam características humanas, como personalidade e comunicação.
Entretanto, as normas não se aplicam a serviços que não envolvem interação emocional, como atendimento ao cliente e ferramentas de estudo. As novas diretrizes também proíbem a criação de “humanos digitais” que incitem a subversão do poder do Estado e estabelecem restrições para menores de idade.
Além disso, as empresas devem implementar sistemas para reconhecer emoções extremas dos usuários e mecanismos de intervenção em situações de crise. O setor chinês de “humanos digitais” movimentou 4,1 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 600 milhões) em 2024, com um crescimento anual de 85%.
Debate global
A China se torna a primeira grande economia a adotar regras específicas para ferramentas de IA que simulam vínculos românticos ou familiares. Essa questão já gera debates em vários países, com pedidos por medidas de proteção semelhantes.
Um estudo de 2025 revelou que quase três em cada quatro adolescentes americanos já utilizaram companheiros de IA para conversas pessoais. Além disso, empresas estão desenvolvendo produtos voltados para idosos isolados, como assistentes de voz e bonecas interativas.
Especialistas alertam que a IA antropomórfica pode ajudar a aliviar a solidão, mas também traz riscos de dependência emocional excessiva. O Doubao permitirá que os usuários consultem e exportem seus dados até meados de outubro, enquanto outras plataformas devem seguir medidas semelhantes.
