China conquista novas gerações e transforma suas marcas em ícones globais

Compartilhe essa Informação

Empresas chinesas se expandem globalmente, mudando a percepção do “Made in China”.

Os bonecos Labubu, da Pop Mart, se tornaram um fenômeno global, atraindo a atenção do público com investimento mínimo em publicidade.

Em shoppings de Singapura, filas se formam em frente a lojas de marcas como Chagee, Molly Tea e Mixue, que estão se espalhando por cidades ao redor do mundo, incluindo Sydney, Londres e Los Angeles.

As cadeias de lojas de chá estão liderando uma nova onda de marcas chinesas que, antes conhecidas por produtos de baixo custo, agora buscam se estabelecer como nomes globais de consumo.

Com o segundo maior mercado consumidor do mundo, essas empresas têm a capacidade de escalar a produção e fortalecer suas operações. No entanto, a crescente concorrência interna torna a expansão internacional uma necessidade.

As marcas chinesas também enfrentam o desafio de mudar a percepção negativa associada ao “Made in China”, que ainda é vista em alguns mercados como sinônimo de baixa qualidade.

Tim Parkinson, especialista em consultoria, destaca que a China evoluiu de uma economia de replicação para uma que atende às expectativas de consumidores globais exigentes.

Fábrica do mundo

A China é reconhecida como a “oficina do mundo”, fabricando produtos para diversas empresas ocidentais. Esse processo permitiu que os fornecedores desenvolvessem suas próprias marcas e sistemas de distribuição.

A Miniso, por exemplo, vende produtos licenciados da Disney e Marvel, operando lojas em mais de 100 países, aproveitando sua experiência na fabricação e distribuição.

“Os consumidores priorizam a experiência de compra, design e custo-benefício em vez da origem da marca”, afirma Vincent Huang, gerente da Miniso.

Os contratos de licenciamento e a agilidade na distribuição são cruciais para o sucesso das marcas chinesas no exterior.

A BYD, que superou a Tesla como maior fabricante de veículos elétricos do mundo, também se beneficia de um vasto mercado interno, produzindo em escala e aumentando sua rentabilidade.

A empresa está se expandindo além dos carros, desenvolvendo sistemas de carregamento ultrarrápido, parte de um projeto para criar um ecossistema em torno de seus veículos.

O apoio governamental tem sido fundamental para o crescimento do setor de veículos elétricos na China, embora tenha gerado críticas de países ocidentais que alegam competição desleal.

A Anta, uma das principais marcas de artigos esportivos, cresceu adquirindo marcas internacionais e agora possui cerca de 13 mil lojas ao redor do mundo, tornando-se a terceira maior do setor.

O sudeste asiático como plataforma de lançamento

Antes de se aventurarem nos mercados ocidentais, muitas empresas chinesas testaram suas estratégias no sudeste asiático, onde a demanda por produtos de qualidade está em ascensão.

Com uma população jovem e em crescimento, a região se tornou um campo fértil para marcas como Haidilao, que se tornou a maior rede de hotpot do mundo após abrir sua primeira loja em Singapura em 2012.

“A história do Haidilao reflete a transformação econômica da China ao longo de 30 anos”, afirma Zhou Zhaocheng, vice-presidente da empresa.

A adaptação aos mercados internacionais é essencial, e a rede busca certificação halal para ampliar sua presença em países de maioria muçulmana.

Marcas como Mixue e Molly Tea estão se expandindo rapidamente, com Mixue operando mais lojas do que McDonald’s e Starbucks juntas.

Mais de 70% das empresas chinesas no sudeste asiático planejam expandir suas operações, aproveitando o crescimento do mercado de smartphones e o aumento da popularidade de produtos como os bonecos Labubu.

Nos EUA, as vendas da Pop Mart cresceram 900% desde 2024, embora a empresa enfrente desafios com a queda de suas ações, refletindo preocupações sobre seu crescimento futuro.

Ainda assim, a Pop Mart continua a ter um valor de mercado superior ao de grandes empresas de brinquedos como Hasbro e Mattel.

Guerras de preços

O movimento de expansão internacional das empresas chinesas, conhecido como chū hǎi,

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *