China desenvolve submarino nuclear de 120 metros com mistérios a serem desvendados
China avança na construção de submarino nuclear de nova geração no estaleiro Bohai.
A China está em processo de construção de um submarino nuclear de aproximadamente 120 metros de comprimento no estaleiro Bohai, localizado em Huludao. Recentes imagens de satélite têm revelado detalhes anteriormente ocultos, contribuindo para um melhor entendimento sobre as capacidades e inovações que o país está implementando em sua frota submarina.
Uma das descobertas mais significativas é a instalação de um propulsor a jato, que substitui a hélice convencional. Essa tecnologia promete oferecer vantagens em eficiência e redução de ruído em determinadas velocidades, características que são essenciais para operações discretas. O Tipo 093B, submarino anterior, já utilizava essa inovação, funcionando como um elo entre os modelos de ataque nuclear mais antigos e a nova geração em desenvolvimento.
Além disso, a nova embarcação apresenta superfícies de controle traseiras em formato de X, uma configuração que pode aprimorar a manobrabilidade e a eficiência, além de reduzir a assinatura acústica. Isso indica que o submarino está sendo projetado com um nível de sofisticação superior em comparação aos modelos anteriores.
Imagens anteriores mostraram uma abertura retangular significativa atrás da vela do submarino, que agora está coberta por uma estrutura. Essa abertura pode indicar a instalação de um sistema de lançamento vertical para mísseis, uma adição esperada para o Tipo 095, que permitiria o lançamento de mísseis de cruzeiro antinavio e até armas hipersônicas.
Embora analistas acreditem que essa abertura possa estar relacionada ao acesso ao compartimento do reator, o mistério se aprofunda com a presença de duas grandes aberturas circulares na proa, que poderiam abrigar sistemas de lançamento ou outros equipamentos. A proximidade dessas aberturas com o sonar principal sugere uma função diferente, aumentando a complexidade da análise sobre o submarino.
A análise das medições a partir de imagens de satélite indica que o novo casco possui cerca de 120 metros de comprimento, o que gera confusão, pois a primeira identificação do submarino, em fevereiro, sugeria um comprimento de aproximadamente 110 metros. Desde então, outros cascos com características distintas também foram avistados, incluindo um modelo com uma vela notavelmente pequena.
Os especialistas ainda não chegaram a um consenso sobre se a China está desenvolvendo submarinos para diferentes missões ou se esses modelos representam estágios sucessivos de um mesmo projeto. Há até a possibilidade de que o primeiro protótipo tenha sido uma unidade experimental, enquanto os subsequentes refletem uma configuração mais avançada.
A situação é ainda mais complexa, pois não se trata de um caso isolado. Em 2024, surgiu o Tipo 041, um submarino que supostamente possui um sistema de propulsão híbrido. Outros submarinos, como o de Shanghai, também foram identificados, apresentando características que não se assemelham perfeitamente aos modelos anteriores.
As semelhanças entre alguns dos novos cascos, como a popa em forma de X, contrastam com as diferenças em dimensões e configurações, criando um quadro confuso sobre o desenvolvimento da nova geração de submarinos chineses. Apesar de sabermos que a China está investindo em inovações, as imagens disponíveis ainda não permitem uma compreensão clara do programa de desenvolvimento.
Por trás de todos esses desenvolvimentos está uma fragilidade histórica da frota de submarinos chineses, que tradicionalmente fica atrás da frota americana em aspectos como silêncio acústico e propulsão. O novo Tipo 095 visa introduzir melhorias significativas nessas áreas, com previsões de avanços no design de reatores, sensores e integração de armamentos.
Com a entrada progressiva em serviço dos novos submarinos de mísseis balísticos Tipo 095 e Tipo 096, espera-se que a China faça um salto tecnológico significativo, alinhando-se às novas geometrias e sistemas de propulsão que estão sendo observados nas imagens de satélite.