Convidados da Coonline alertam sobre riscos da IA para a estabilidade da internet

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A produção automatizada de conteúdos pode comprometer a qualidade da internet, alertam especialistas.

Fernanda Campagnucci e Marcelo Soares discutiram os riscos da produção automatizada de conteúdos por inteligência artificial (IA) em um recente debate virtual. Eles participaram da edição 99 da Coonline, uma confraria de jornalistas experientes, onde abordaram temas como poluição informacional, concentração de poder nas plataformas digitais e possíveis soluções para melhorar o ambiente online.

O livro dos autores reflete sua relação complexa com a internet. Embora reconheçam as oportunidades oferecidas pela tecnologia, criticam a realidade atual da rede. Fernanda enfatizou que a infraestrutura descentralizada da internet está sendo ofuscada por modelos de negócios que concentram poder econômico e prejudicam a democracia e outras áreas da vida social.

Internet Morta

Uma das principais preocupações discutidas foi o aumento na produção de textos, imagens e músicas gerados automaticamente. Fernanda explicou que os sistemas de IA podem ser alimentados por conteúdos também criados por máquinas, resultando em informações progressivamente menos confiáveis. Esse fenômeno está relacionado à Teoria da Internet Morta, que sugere que a maior parte do conteúdo online é gerada por robôs e sistemas automatizados, não por humanos.

Marcelo alertou para o risco de um “caos cognitivo”, onde se torna difícil discernir a veracidade das informações. Ele destacou que os modelos de IA geram conteúdos baseados em sequências de palavras estatisticamente prováveis, sem a verificação dos fatos. “A internet não precisa mais de pessoas para ser produzida. Ela precisa de pessoas para gerar receita”, afirmou, resumindo a situação atual.

Impactos no Jornalismo

Os especialistas também discutiram os impactos da IA no jornalismo. Marcelo ressaltou que um texto jornalístico é o resultado de um processo que inclui pesquisa, entrevistas e checagem rigorosa. Fernanda complementou que os chatbots não atuam como ferramentas de busca, mas sim criam respostas baseadas em probabilidades linguísticas, podendo fornecer informações incorretas com uma aparência de credibilidade.

Apesar das preocupações, Fernanda expressou otimismo em relação ao futuro. Ela observou que há uma crescente conscientização sobre a responsabilidade das plataformas pelos danos causados e um espaço emergente para a regulação dos serviços digitais e seus modelos econômicos. Os autores defenderam também a necessidade de maior transparência em relação a algoritmos, filtros e sistemas de IA. O lançamento do livro ocorrerá em Porto Alegre no dia 10 de novembro, às 17h, durante a Feira do Livro, na Praça de Autógrafos.

Assista à edição completa:

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