Dados desempenham papel crucial na expansão da inteligência artificial
Transformação digital e inteligência artificial são temas centrais em debate no SP2B.
Agentes de inteligência artificial (IA) e decisões automatizadas revelam apenas a superfície de um sistema complexo. Nos bastidores, há anos de desenvolvimento, integração de sistemas e organização de dados que exigem um trabalho conjunto de diversas pessoas.
Durante o evento SP2B, realizado em São Paulo, Carlos Eduardo Mazzei, diretor de tecnologia do Itaú Unibanco, e Priscila Toledo, fundadora da Stellula.co, discutiram a complexidade da transformação digital nas instituições financeiras.
No Itaú Unibanco, a IA já está em escala, e Mazzei destacou os desafios de modernizar uma instituição com décadas de história e sistemas legados. A transformação não é apenas sobre tecnologia, mas sobre colocar o ser humano no centro das decisões.
Priscila, com uma carreira focada em conectar tecnologia e soluções de negócios, enfatizou que a inovação muitas vezes ocorre longe dos holofotes. Com mais de 20 anos de experiência no sistema financeiro, ela fundou a Stellula.co, um hub que conecta startups a grandes empresas de tecnologia. Segundo ela, a inovação deve ser acessível a todos.
As duas décadas de experiência de Priscila a levaram a observar que a verdadeira inovação acontece entre a promessa e a adoção, envolvendo integração, governança e confiança.
Construir por dentro
Do ponto de vista de Mazzei, a construção interna é fundamental. Ele ressaltou que a jornada de transformação do Itaú se concentra na experiência do cliente, utilizando dados para sustentar decisões. Um exemplo claro é a adaptação dos sistemas de IA para “esquecer” informações desatualizadas, garantindo que as decisões sejam sempre relevantes.
Atualmente, o Itaú possui mais de 600 casos de uso de IA em sua plataforma, com cerca de 120 em operação. Isso inclui soluções como o Pix via WhatsApp e assistentes de investimentos, sempre priorizando o impacto real no cliente.
Recentemente, o banco lançou o ia.i, um assistente de IA conversacional que se destacou na mídia, evidenciando a cultura de experimentação dentro da instituição. Priscila observou que essa abordagem de testar e ajustar rapidamente é vista como parte do processo de inovação.
Governança sem travar a agilidade
A governança no Itaú é projetada para não comprometer a agilidade. O foco é empoderar as áreas de negócios a tomarem decisões de forma independente, mantendo um equilíbrio entre inovação e segurança. Os cibercriminosos também utilizam ferramentas de IA, o que torna a governança multidisciplinar essencial.
Uma ilustração do avanço da tecnologia foi um episódio em que uma empresa precisou demonstrar que um robô humanoide era, de fato, uma máquina, devido à sua aparência realista. Essa situação evidencia a crescente intersecção entre humano e máquina.
Para as empresas que estão iniciando sua jornada em dados e IA, a recomendação final do painel foi clara: organizar a estrutura de dados antes de se apressar em buscar novidades. Tratar dados como um pré-requisito fundamental e aceitar erros como parte do aprendizado são passos cruciais para o sucesso na transformação digital.
