Data center bilionário de IA será construído para atender gigante da tecnologia em interior de SP

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Data center inovador em Sumaré será dedicado à inteligência artificial.

Um novo data center, projetado exclusivamente para inteligência artificial, será construído em Sumaré, São Paulo, com um investimento de US$ 1,2 bilhão.

A estrutura, que deve ser concluída em 18 meses, foi anunciada por uma gigante do setor de tecnologia, cujo nome ainda não foi revelado. Este empreendimento funcionará como um “cérebro” para sistemas de IA, exigindo uma infraestrutura mais robusta em comparação aos data centers tradicionais, especialmente em termos de energia e refrigeração.

Denominado “Sumaré 3”, o novo centro terá uma capacidade inicial de 90 MW, com potencial para dobrar essa capacidade. A Ascenty, responsável pelo projeto, destaca que a estrutura foi planejada desde o início para atender às crescentes demandas da inteligência artificial.

Além dos US$ 1,2 bilhão investidos na construção, espera-se que a empresa que ocupará o espaço invista mais US$ 5 bilhões em equipamentos e tecnologia, ampliando ainda mais a capacidade e eficiência do data center.

Pensado para IA

Os data centers voltados para inteligência artificial não apenas armazenam e processam dados, mas também demandam muito mais energia e sistemas de refrigeração avançados do que os modelos convencionais. Enquanto um rack em um data center tradicional opera com cerca de 8 kW, no Sumaré 3, essa capacidade será entre 60 kW e 1 MW, conforme informações de executivos da Ascenty.

Essa maior demanda de energia requer um redesign do projeto. O novo centro utilizará resfriamento líquido, uma tecnologia mais eficiente para dissipar o calor gerado pelos chips de IA, substituindo os sistemas tradicionais de refrigeração por ar.

O resfriamento líquido envolve a circulação de fluidos para absorver e transferir calor, oferecendo uma alternativa mais eficaz em comparação ao ar-condicionado convencional.

“Vai ser o primeiro grande data center só para IA. Tem racks de IA já operando no Brasil, mas não tem um data center que foi concebido diretamente com IA”, afirmou um executivo da Ascenty.

Energia e água

A operação do data center foi projetada para utilizar energia proveniente de fontes renováveis e sistemas de refrigeração em circuito fechado. A Ascenty informa que atualmente 100% da energia utilizada é de autoprodução, com o objetivo de manter a neutralidade ambiental.

Em relação ao consumo de água, o sistema opera em circuito fechado, permitindo o reaproveitamento do recurso. Em 2025, o consumo de água do data center será equivalente ao de nove residências com quatro moradores durante um ano.

O executivo responsável pela estratégia da empresa destacou que a água utilizada no início da operação será suficiente para toda a vida útil do data center.

Por que o interior de SP?

O projeto em Sumaré faz parte de um plano de expansão mais amplo da Ascenty em São Paulo, que inclui a construção de outros três data centers, totalizando 150 MW de capacidade. Este aumento representa um crescimento de 40% em relação ao que foi construído nos últimos 15 anos.

A região de Campinas é vista como estratégica para os planos de expansão, devido à disponibilidade de energia, infraestrutura de fibra óptica e proximidade com a capital paulista. Executivos da empresa afirmam que o Brasil possui vantagens estruturais em relação a outros países da América Latina para projetos desse tipo.

“O Brasil tem excedente de energia, produz mais do que consome e conta com uma matriz basicamente renovável, algo que muitos países não têm. Hoje, o custo da energia no Brasil é cerca de um terço do registrado nos Estados Unidos”, comentou um dos líderes da Ascenty.

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