Davi se declara culpado após pedido de R$ 130 milhões para filme
Presidente do Senado comenta pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes
Durante a sessão plenária desta quarta-feira, o presidente do Senado abordou os diversos pedidos de impeachment apresentados pela oposição contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A discussão surgiu após a divulgação de mensagens trocadas com o controlador do Banco Master.
Alcolumbre criticou as “agressões” que ocorreram em função da não leitura dos pedidos e fez alusão ao senador Flávio Bolsonaro, que iniciou a mobilização em torno do impeachment. O presidente do Senado lembrou que o colega também enfrenta complicações relacionadas à sua interação com o proprietário do Banco Master.
O senador ironizou a situação, afirmando que a responsabilidade por um pedido de R$ 130 milhões para um filme recai sobre ele e Moraes, enquanto outros parecem esquecer o contexto. Ele anunciou que irá se aprofundar mais no assunto em futuras declarações.
A referência ao filme mencionada por Alcolumbre diz respeito a mensagens de áudio que foram vazadas no início de maio. Essas mensagens incluíam um pedido de Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, solicitando recursos para a produção do filme “Dark Horse”, que retrata a eleição de Jair Bolsonaro em 2018.
Flávio se defendeu ao afirmar que o pedido era um patrocínio privado para uma produção privada, em um período anterior às suspeitas sobre fraudes no Banco Master. Contudo, novas revelações indicam que Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos, estaria envolvido na gestão financeira da produção e teria orientado Vorcaro sobre como transferir recursos sem chamar a atenção das autoridades alfandegárias.
Documentos vazados também revelaram um plano de pagamento que previa repasses significativos para a produção cinematográfica, totalizando US$ 23,9 milhões entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Os registros indicam que já foram realizados pagamentos de US$ 10,6 milhões entre fevereiro e maio de 2025.
Os pedidos de impeachment contra Moraes fundamentam-se em um relatório da Polícia Federal, que revelou contatos e encontros entre Vorcaro e o ministro desde 2023. Em uma das mensagens, Vorcaro expressa preocupação com uma possível ação contra ele e menciona a necessidade de se encontrar com o diretor-geral da PF e o procurador-geral da República.
O relatório também cita um contrato entre o Banco Master e o escritório da esposa de Moraes, que previa pagamentos mensais significativos, além de discussões sobre eventos em Londres. A Polícia Federal observou que os metadados de um documento indicavam que Moraes estava envolvido na última alteração do contrato.
Conversas entre Vorcaro e o procurador Paulo Gonet também foram reveladas, incluindo um pedido de custeio de passagem e hospedagem para um evento jurídico que foi cancelado. A PF, no entanto, esclareceu que não investigou magistrados ou membros do Ministério Público e não concluiu que Moraes tenha cometido crime ou interferido em investigações.
