Deepfakes se tornam ameaça nas eleições de 2026
A inteligência artificial e os desafios da desinformação nas eleições de 2026.
Uma imagem, um áudio ou um vídeo já foram considerados provas incontestáveis. No entanto, a inteligência artificial está transformando essa percepção, especialmente em um cenário eleitoral marcado pela disseminação rápida de informações nas redes sociais.
As deepfakes, que reproduzem rostos, vozes e movimentos com alta precisão, representam um risco significativo. A velocidade com que essas falsificações podem se espalhar é alarmante, permitindo que mentiras alcancem milhões antes que possam ser desmentidas por jornalistas ou autoridades competentes.
Segundo uma pesquisa recente, 72% dos brasileiros se sentem capazes de identificar conteúdos manipulados por inteligência artificial. Dentre eles, 39% afirmam ter total confiança nessa habilidade, enquanto 33% se consideram mais capazes do que incapazes.
No entanto, essa percepção varia conforme a faixa etária. A maioria dos jovens, especialmente aqueles entre 16 e 44 anos, acredita ter a capacidade de reconhecer deepfakes, enquanto apenas 53% dos maiores de 60 anos compartilham dessa confiança.
A escolaridade também influencia essa percepção. Entre os que possuem ensino superior, 82% se sentem aptos a identificar conteúdos alterados, em comparação a 69% dos que têm ensino médio e 67% dos que não completaram o fundamental.
Esses dados revelam uma desigualdade na percepção de preparo para lidar com a desinformação, além de destacar que acreditar na própria capacidade de identificação não garante que as pessoas realmente consigam discernir a verdade da falsificação.
A tecnologia avança rapidamente, tornando cada vez mais difícil detectar manipulações. Erros evidentes de sincronização e movimentos artificiais, que antes denunciavam conteúdos falsos, estão desaparecendo, o que torna o reconhecimento de deepfakes um desafio crescente.
A situação é atual, com a inteligência artificial já sendo utilizada na campanha presidencial de 2026. Um vídeo gerado por IA que simulava a imagem e a voz de um candidato gerou debates jurídicos sobre os limites do uso dessa tecnologia nas eleições.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) implementou regras que exigem a identificação clara de conteúdos gerados ou alterados por inteligência artificial. Deepfakes que possam beneficiar ou prejudicar candidaturas são proibidas, e há restrições adicionais nas 72 horas antes e nas 24 horas após a votação.
A preocupação das instituições reflete a gravidade do problema. O TSE firmou acordos para combater deepfakes e conteúdos sintéticos, e o Congresso está considerando propostas para criminalizar a produção e divulgação desses materiais que possam interferir no processo eleitoral.
O aumento de conteúdos manipulados é preocupante, com um levantamento indicando que casos de deepfakes e desinformação gerados por IA saltaram de 39 em 2024 para 159 em 2025, um crescimento de 308%. Essa tendência é alarmante, especialmente em um ano eleitoral.
Por outro lado, a pesquisa revela que a maioria dos eleitores é contra o uso político de deepfakes. Para 92% dos brasileiros, candidatos não deveriam utilizar essa tecnologia para atacar adversários, e 84% se opõem ao uso de deepfakes para favorecer suas próprias candidaturas.
A rejeição a essa prática é quase unânime em um país politicamente dividido. Contudo, a desinformação não precisa convencer a todos para causar impacto. Em uma eleição acirrada, uma deepfake divulgada no momento certo pode gerar danos irreparáveis, mesmo que seja desmentida posteriormente.
Além disso, há um risco menos evidente: à medida que as pessoas se tornam mais cientes das manipulações, também podem passar a duvidar de fatos verdadeiros. Um candidato em apuros pode alegar que um vídeo comprometedora é uma falsificação, tornando a verdade questionável.
Esse é um dos maiores desafios que enfrentaremos. A solução não pode vir apenas da Justiça Eleitoral; é necessária uma colaboração entre plataformas digitais, imprensa, campanhas e educação para o consumo crítico de informações. Os eleitores devem aprender a desconfiar, verificar fontes e resistir ao impulso de compartilhar conteúdos que os indignam.
A pesquisa indica que os brasileiros reconhecem os limites éticos do uso da inteligência artificial na política, o que é encorajador. No entanto, a maior vulnerabilidade reside na crença de que sempre conseguirão distinguir entre o verdadeiro e o fabricado.
Em 2026, garantir a liberdade de escolha dos eleitores implica também em assegurar que eles saibam
