Degelo do Permafrost Revela Segredos por Trás do Desastre no Nepal

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Desastre no Nepal e Tibete: avalanche deixa centenas de mortos e desaparecidos.

Ao menos 362 pessoas morreram e 1.468 estão desaparecidas após uma avalanche de gelo e rochas provocar uma enxurrada devastadora na fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China. Mais de 900 dos desaparecidos são estrangeiros.

A onda de detritos avançou pelo vale do rio Bhote Koshi, uma importante rota de ligação entre Katmandu e o Tibete, destruindo casas, pontes e estradas. A tragédia ocorreu sem aviso prévio, surpreendendo as comunidades locais.

As imagens da enchente repentina são chocantes e revelam a força da natureza em sua forma mais destrutiva. Especialistas em geleiras têm alertado sobre o derretimento acelerado das mesmas em todo o mundo, que pode levar a desastres como este. Uma análise preliminar indica que o colapso repentino de uma geleira pode ter desencadeado a catástrofe.

Com as mudanças climáticas em curso, as geleiras estão derretendo, mesmo em regiões de alta altitude como o Himalaia, que é particularmente vulnerável. As encostas íngremes das montanhas são formadas por permafrost, uma mistura de rochas e solo congelados que, com o aumento das temperaturas, começam a derreter e se desestabilizar.

À medida que as temperaturas aumentam, essas encostas podem se tornar instáveis, e um terremoto ou deslizamento pode resultar em fluxos devastadores de detritos.

Embora ainda seja cedo para determinar a causa exata do desastre, as grandes reservas de gelo do Himalaia, conhecidas como o “terceiro polo” do mundo, estão enfrentando sérios riscos. O que ocorreu no Nepal é provavelmente resultado de um deslizamento de gelo e rochas que desceu por uma passagem nas montanhas, arrastando uma enorme quantidade de materiais.

O impacto foi tão intenso que inicialmente foi confundido com um terremoto, registrado como um tremor de magnitude 4,4. Quando atingiu o Porto de Gyirong, a parede de detritos se assemelhou a um tsunami de terra, com estimativas de que a onda pode ter alcançado 30 metros de altura.

Desastres como este podem ocorrer quando a água do degelo, retida em lagos formados por deslizamentos de terra, se rompe. No entanto, análises preliminares indicam que essa não foi a causa neste caso, mas sim o colapso de uma geleira devido a um deslizamento de terra.

O recuo das geleiras é um fenômeno observado globalmente, e o Nepal já havia enfrentado inundações semelhantes no passado, como uma que matou nove pessoas no ano anterior. Contudo, este desastre é um dos mais significativos até o momento.

As geleiras de alta altitude reagem de maneira diferente às mudanças climáticas em comparação com aquelas em altitudes mais baixas. O derretimento do permafrost pode tornar as encostas do Himalaia menos estáveis, aumentando a probabilidade de deslizamentos de terra.

O permafrost, que é uma mistura de solo, rochas e gelo, permanece congelado por anos. O aquecimento global provoca seu descongelamento, enfraquecendo a estrutura que mantém as rochas unidas.

A perda de solo congelado em encostas íngremes pode resultar em quedas de rochas e deslizamentos de terra, que podem ser desencadeados por eventos como terremotos ou outras perturbações.

Ainda que não tenha ocorrido perda de vidas na recente queda de uma geleira na Suíça, isso se deveu a sistemas de alerta precoce que permitiram a evacuação dos moradores. Com o aumento das temperaturas e a frequência de desastres climáticos, a implementação de sistemas de alerta se torna crucial para comunidades próximas a geleiras.

Esses sistemas podem monitorar o aumento rápido do nível dos rios, chuvas intensas e atividades sísmicas, alertando as autoridades antes que desastres aconteçam. No entanto, a instalação e manutenção desses sistemas requer investimentos significativos, o que representa um desafio para países em desenvolvimento.

A água do derretimento das geleiras do Himalaia é vital para bilhões de pessoas em várias nações, e o aumento do derretimento pode temporariamente elevar o fluxo dos rios, mas a longo prazo, sua contribuição pode diminuir, especialmente durante a estação

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